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Comércio de JF ainda contrata a cinco dias do Natal


Por Flávia Lopes

20/12/2011 às 06h00

A cinco dias para o Natal, o comércio de Juiz de Fora ainda está selecionando profissionais para atuar nas lojas. Ao percorrer as ruas do Centro, é possível encontrar diversos anúncios de contratação de vendedores, estoquistas e seguranças na vitrine dos estabelecimentos. Segundo estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/JF), cerca de 30% dos comerciantes de Juiz de Fora não conseguiram contratar o volume esperado de funcionários para atender à demanda de Natal. O motivo, segundo os órgãos que representam os lojistas, é a dificuldade de encontrar profissionais disponíveis no mercado, mesmo sem a exigência de experiência anterior na área.

De acordo com o presidente da CDL, Vandir Domingos, o número de 1.200 contratações temporárias para este ano deverá ser atingido, mas ressalta que o número podia ser maior se houvesse oferta de trabalhadores para preencher as vagas disponibilizadas. Segundo Domingos, os lojistas que não se programaram e deixaram as contratações para a última hora encontraram dificuldades. "Quem não apostou em aumento de vendas está tendo problemas. Estamos bem próximos do pleno emprego e o crescimento do número de estabelecimentos comerciais dificultou ainda mais o preenchimento das vagas criadas."

Para o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, a diminuição da taxa de desemprego no município tornou as contratações mais difíceis. "Hoje só não tem emprego aquelas pessoas que não possuem a qualificação que a empresa exige, estão no seguro desemprego ou simplesmente não querem trabalhar" avalia. Ainda de acordo com Beloti, as projeções para o futuro são de melhoria dos salários pagos no setor e atração de trabalhadores de municípios vizinhos para atender à demanda do mercado.

Na loja Opção, o anúncio de contratação de vendedores permanece na vitrine, mas, segundo a gerente Flávia Rosa, o número de vendedores extras para o Natal ficou abaixo do previsto. "Tivemos uma dificuldade bem maior para contratar que em anos anteriores." Ela diz que, mesmo com a redução das exigências, a loja não conseguiu preencher todas as vagas. Já o vendedor responsável pela loja Vivo da Rua São João, Felipe Torres, diz que está contratando há quatro meses. "Estamos precisando de mais cinco funcionários, mas está difícil de encontrar."

Na loja de roupas femininas Ney Fek, o quadro esperado de funcionários para o fim do ano também não foi alcançado, segundo a vendedora Luana de Almeida. "Precisávamos de mais três ou quatro, mas não encontramos pessoas com perfil." Na Sandpiper, a gente Lílian Silva diz que oito funcionários já foram contratados e espera chamar mais dois esta semana para trabalhar no estoque. "Esperamos para ver se as vendas iam melhorar, pois o ano foi fraco." A gerente da loja Havaianas, Nathália Cabral, diz que sempre capta currículos para não ser pega de surpresa no caso de pessoas quererem sair na última hora.

Salários estão até 30% maiores, diz FGV

A escassez de trabalhadores não é um problema restrito ao município. Segundo o professor de varejo da Fundação Getulio Vargas, Daniel Plá, o comércio brasileiro está vivendo um momento de pleno emprego. Segundo entrevista do professor à Agência Brasil, isso ocorre devido à alta demanda da economia e à resistência das empresas na questão do aumento dos salários. "Você tem um controle forte da inflação, o dinheiro está difícil. Muitas empresas vão enfrentar dificuldades. Ficarão com falta de produtos antes do Natal, porque estão trabalhando com estoques baixos devido ao alto custo financeiro".

Ainda de acordo com o professor, em função da demanda, os salários dos funcionários temporários do comércio varejista aumentaram até 30%. Ao mesmo tempo em que a briga pelos temporários é positiva, também mostra um lado preocupante, segundo Plá. "Muita gente larga um emprego fixo, força às vezes uma demissão para receber o FGTS, entra no emprego temporário acreditando que depois vai ser efetivado, mas não é bem assim. Aí, você passa a ter uma situação dramática, que se repete todos os anos, porque de cada três temporários, apenas um é efetivado".