Mudança no teto do FGTS deve alavancar mercado
Idealizada para beneficiar o mercado imobiliário das grandes capitais – sobretudo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília -, a proposta de aumentar de R$ 500 mil para R$ 750 mil o valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode ter impacto positivo em Juiz de Fora. Na opinião dos representantes do setor na cidade, o município também tem potencial para elevar seus negócios, caso a medida em estudo pelo Governo federal seja aprovada.
Para o delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-MG), Reinaldo Fontes, o aumento do teto do saque do FGTS para aquisição da casa própria irá ocasionar aquecimento em toda a cadeia do setor imobiliário. "Os impactos seriam muito positivos. Aumentando a faixa de renda, teremos a procura por outros tipos de imóveis. Haverá a incorporação de uma nova classe de clientes que se tornará responsável por dinamizar o mercado", avalia.
A revisão do limite foi pedida por dirigentes de bancos privados ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. O principal motivo alegado é que a desatualização do valor pode restringir o aumento do crédito imobiliário. Diante da solicitação, desde o final de julho, a equipe econômica do governo reabriu as discussões, e a área técnica estuda a proposta de ampliação do valor e os possíveis impactos da medida sobre recursos do fundo e preços de imóveis. Há uma preocupação que o aumento do teto impulsione um alta dos valores praticados no setor. A possibilidade disto ocorrer em Juiz de Fora é descartada por Fontes. "O consumidor de hoje está muito mais atento. Ele não paga a mais por um imóvel que não vale." Além disso, o delegado relembra que o mercado nacional já sofreu um verdadeiro "boom" dos preços recentemente. "Já tivemos uma grande valorização e chegamos a um patamar no qual não cabe uma nova alta."
O presidente do Sindicato da Construção Civil de Juiz de Fora (Sinduscon-JF), Leomar Delgado, também não acredita no encarecimento dos imóveis a partir da aprovação da medida. "Os preços aumentam diante do crescimento da demanda. Ampliar o limite do saque do FGTS vai aquecer o mercado, mas não será um impacto tão forte a ponto de ocasionar esta supervalorização." Ele explica que há muitos imóveis nesta faixa de preço disponíveis na cidade. "São imóveis mais luxuosos com até quatro quartos e algumas coberturas em regiões valorizadas da cidade. É um perfil diferente daquele que é procurado hoje pelos clientes que adquirem a casa própria com recursos do fundo."
Em alta
O uso de recursos do FGTS para aquisição da casa própria cresceu 17,8% em Minas Gerais no primeiro semestre de 2013 ante o mesmo período de 2012, conforme dados da Caixa Econômica Federal. O número de saques passou de 71.896, entre janeiro e junho do ano passado, para 84.737 nos seis primeiros meses desse ano. Em valores, o crescimento foi de 9%, saltando de R$ 407 milhões para R$ 444 milhões. As retiradas feitas no primeiro semestre deste ano correspondem a 57,52% do total feito em todo ano passado (147.304), quando mais de R$ 808 milhões foram destinados à compra de imóveis no estado.
Sem dados locais, a gerente regional de pessoa física da superintendência da Caixa de Juiz de Fora, Clara Lúcia Camargo Barbosa, afirma que a cidade segue a tendência estadual. "Cada vez mais os juiz-foranos utilizam o recurso do fundo para conquistar o sonho da casa própria", diz. Ela afirma que aumentar o teto para R$ 750 mil será uma boa oportunidade para os clientes da cidade. "Há muitas pessoas que querem adquirir imóveis mais caros. Algumas esperam para poder economizar um valor para dar o sinal de entrada e financiam o restante com o recurso do FGTS. Estes clientes teriam que esperar menos tempo para fazer a compra."











