Ouça agora

1.281 empregos formais criados em Juiz de Fora


Por Fabíola Costa

19/10/2011 às 07h00

Juiz de Fora criou 1.281 empregos com carteira assinada em setembro, quase o dobro (98%) do verificado no mesmo mês do ano passado (647). É o melhor setembro da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), disponível para consulta desde 2003. Foi o segundo melhor mês do ano, só perdendo para agosto, quando o saldo foi de 1.367. Considerando o acumulado de janeiro a setembro, são 4.347 oportunidades no mercado formal, 2% a mais ante o total dos nove primeiros meses de 2010 (4.261). Os dados foram divulgados ontem.

Dentre as atividades econômicas pesquisadas, serviços (845) e comércio (404) lideraram o ranking de empregabilidade. O número de vagas em serviços é 26 vezes maior ante o resultado do mesmo mês do ano passado (32). A indústria de transformação ficou em terceiro lugar (66). A construção civil retraiu, demitindo mais do que contratando e fechando o mês com estoque negativo de 51 empregos.

Para o superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Carlos Fernandes, o crescimento dos serviços deve-se à atração de empresas com este perfil para Juiz de Fora, especialmente no setor de call center. Além da abertura de vagas refletida no Caged, ele destaca o impacto da folha de pagamento no consumo do comércio. Carlos também identifica o crescimento de segmentos produtivos na cidade, como o supermercadista, com a abertura de lojas e contratação de funcionários.

O impacto das contratações temporárias, que começaram em setembro para atender a demanda do Dia das Crianças e continuam para o Natal, também foi considerado. Na sua opinião, as chances de efetivação destes temporários é maior hoje, diante as perspectivas otimistas para o final do ano, se não houver erro de percurso da economia mundial, pondera. Apesar de a CDL ainda não ter uma estimativa de vendas para a data, a alta entre 5% e 6% no Dia das Crianças foi considerada positiva.

Já o coordenador do Centro Industrial e economista Antônio Flávio Luca do Nascimento avalia que a tradicional curva ascendente verificada no segundo semestre ainda é tímida. Em setembro do ano passado, a indústria da transformação criou 87 vagas. Este ano, o saldo foi 66,24% menor. Considerando o acumulado ao ano, a diferença chega a -73% em 2011 ante 2010. Houve desaceleração em função da situação econômica internacional. A crise já está no Brasil, até um pouco invisível. A queda de demanda do mercado externo influi na produção e, por consequência, nas contratações, diz. Nascimento destaca a dependência das grandes empresas da cidade e relação ao movimento das commodities, cujos preços estão em queda. A indústria está pisando no freio e, com cautela, acompanha o desenvolvimento da economia.

Pior resultado

No país, foram criadas 209.078 novas vagas de trabalho com carteira assinada em setembro, o pior resultado para o mês desde 2006. O saldo supera as 190.446 vagas de agosto, mas ficou abaixo dos 246.875 postos contabilizados em setembro do ano passado. Apesar disso, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou não temer o resultado de 2011. Não preocupa, porque estamos no meio de uma crise internacional, mas a demanda doméstica continua forte. E a criação do emprego continua crescendo acima da economia. Para o ministro, a principal causa para a diminuição dos estoques ante 2010 é o menor dinamismo da indústria, conforme disse à Agência Estado (AE).