Anac não tem pedido para expandir pista do Itamar Franco
Apesar de o governador Antônio Anastasia (PSDB) ter anunciado, em março, a conclusão dos trabalhos de remoção do morro localizado na cabeceira Sul do Aeroporto Presidente Itamar Franco (nove meses após o prazo inicialmente previsto), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz não ter recebido pedido oficial de homologação do retorno da pista à dimensão original (2.530 metros), possível com a eliminação do obstáculo e necessária para o pouso de aeronaves de maior porte, utilizadas pelas principais companhias aéreas, inclusive para o transporte de cargas.
O posicionamento da Anac, formalizado por meio de sua assessoria nesta quinta-feira (27), é que o aeroporto está cadastrado com dimensões de pista de 2.460 metros x 45 metros. "Não há processo de alteração para o aeródromo aberto na agência." Por meio de nota, a Anac ainda menciona a existência do morro, identificado tecnicamente como recuo da cabeceira de 660 metros, que, no entanto, não restringiria as operações no Itamar Franco. O posicionamento é que o aeródromo está homologado para receber e realizar operações visuais e por auxílio de instrumentos durante o dia. À noite, a autorização é para operações por instrumentos, com luzes indicativas quando o tempo apresenta baixa visibilidade (neblina e chuvas fortes). Não foi homologada a operação visual durante a noite apenas com luzes indicativas, sem o auxílio de instrumentos.
Ainda conforme a Anac, até esta quinta, não havia pedidos de voos para o aeroporto em questão. "Para que uma companhia opere neste aeroporto, basta que tenha interesse e solicite o voo à Anac, que irá avaliar juntamente com os órgão responsáveis para viabilizar a operação." Conforme o órgão regulador, não são necessários slots, utilização de horários e partidas concedidos por sorteio para aeroportos coordenados (que operam no limite da capacidade) ou de interesse (considerados relevantes para a malha aérea brasileira). "No caso do aeroporto mencionado, não há essa necessidade no momento."
O Itamar Franco está sem operações comerciais desde 4 de junho, após a transferência das atividades da Azul Linhas Aéreas para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha. No início do mês, o Governo mineiro afirmou que trabalhava com a perspectiva de que outras empresas atuassem no aeródromo, o que estava sendo conversado e negociado em sigilo. No final de maio, a Multiterminais Alfandegados do Brasil, administradora do aeroporto, chegou a destacar as negociações com uma companhia aérea nacional de grande porte, especializada no transporte de passageiros, mas que também opera com cargas. Depois disso, porém, não houve posicionamento oficial sobre o avanço das negociações. Nesta quinta, a Tribuna voltou a procurar a Secretaria de Estado de Transportes e Trânsito (Setop) e a Multiterminais, que preferiram não se posicionar sobre o assunto.
História
Em novembro de 1999, o então governador Itamar Franco iniciou estudos para a criação do Aeroporto Regional da Zona da Mata (ARZM). Em setembro do ano seguinte, decidiu pela sua construção, com a perspectiva de inauguração em 2002. Em agosto de 2011, quase dez anos depois, o aeroporto iniciou, de fato, as operações, tendo a Azul Linhas Aéreas como única empresa a oferecer voos regulares. Fruto de investimentos superiores a R$ 100 milhões, o Itamar Franco transportou cerca de 120 mil passageiros nos quase dois anos em que manteve as operações comerciais.










