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Apagão de mão de obra deixa vagas em aberto há 7 meses


Por Tribuna

21/11/2012 às 07h00

Alexandre Tassi, gerente da Peçalex, diz que busca um balconista instalador desde abril

Alexandre Tassi, gerente da Peçalex, diz que busca um balconista instalador desde abril

O apagão de mão de obra no município tem feito com que algumas empresas estejam há sete meses em busca de profissionais. A realidade aponta para a dificuldade de contratação em função que exigem pouca escolaridade e, consequentemente, com baixa remuneração. Este é o caso da Peçalex, empresa de autopeças. "Estou desde abril com a vaga em aberto para balconista instalador. É uma função que precisa ser ensinada e, portanto, não exige experiência. Mesmo assim não consigo achar o profissional. Está ficando cada vez mais difícil encontrar pessoas interessadas por trabalhos manuais mais especializados", aponta o sócio-gerente e um dos diretores do Sindicomércio-JF, Alexandre Tassi.

Atualmente, Juiz de Fora contabiliza 4.170 postos de trabalho em aberto. Destas, 2.720 são ofertados na unidade do Sine, de acordo com dados disponibilizados pela Secretaria Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG), 1.442 no site JF Empregos, serviço da Prefeitura, e oito no Sindiempregos, do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF). O número é 8,5% maior em relação ao mesmo período do ano passado, considerando apenas os dados do Sine, de 3.841 vagas disponíveis, uma vez que os outros serviços ainda não estavam em operação em 2011.

No Sindiempregos, que funciona há quatro meses, as principais vagas oferecidas até agora são de balconista, consultor em vendas, consultor comercial, motorista e vendedor. No JF Empregos, segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE), em cinco meses de atuação o site teve como cargos mais requisitados os de telemarketing, vendedor/consultor de vendas, auxiliar de produção, atendente comercial e no setor de alimentos.

"Hoje, a economia local está aquecida e a procura é, de fato, por profissionais com média e baixa qualificação. O JF Empregos veio com a finalidade justamente de aproximar as pessoas que precisam de emprego às empresas que estão contratando", afirma o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Luiz Zuchi.

O proprietário da GB Máquinas, que vende máquinas industriais, fez cadastro no JF Empregos em busca de um profissional para vaga de serviços gerais. Ele conta que, nos últimos quatro meses, três funcionários passaram pela função. Um deles foi contratado há um mês e deixou o emprego ontem. "Não dá para exigir muito na hora da escolha porque a rotatividade é muito grande", diz Roger Martins.

O economista e professor da UFJF Ricardo Freguglia reforça que há escassez de mão-de-obra qualificada em todos os setores e a saída imediata é a elevação dos salários para suprir a carência de profissionais. "Esse aumento, entretanto, acaba repercutindo no custo das empresas e na onerosidade dos produtos." Ele aponta ainda que a tendência deverá ser a automação dos trabalhos. "Isso porque a mão de obra poderá ficar mais cara que a própria automação", pondera.

Já o economista Antônio Flávio do Nascimento, pondera que esse apagão é secular e não houve medida educativa para que isso fosse revertido. "Agora a bolha está estourando. As entidades precisam dialogar com seus setores produtivos para identificar as demandas e tentar modificar essa realidade", alerta.