‘Cenário’ flagra produção de JF


Por MÔNICA CALDERANO

26/05/2013 às 07h00

Com resultados tímidos ao longo dos últimos anos, Juiz de Fora chega aos 163 anos com caminhos traçados para recuperar sua participação na economia mineira e brasileira. A perda de representatividade da cidade nos indicadores da Zona da Mata, do estado e do país é especialmente evidente diante dos números do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2004, 2,75% do que era produzido em Minas tinha origem na cidade. Em 2010, data do último levamento feito pelo IBGE, o percentual caiu para 2,36%. Mudanças na legislação, especialmente para fins de desoneração fiscal, fortalecimento do setor de logística e viabilização do Parque Científico e Tecnológico da UFJF são as principais apostas do município, que ainda conta com a força dos setores de serviço e comércio, que expandiram suas atuações no período. As informações constam na revista "Cenário", que a Tribuna publica neste domingo.

A perda de espaço da economia juiz-forana tem estreita ligação com o desempenho da indústria, que passou por longos anos de estagnação antes de, em 2009, ver suas expectativas renovadas pela reação do Estado de Minas Gerais aos danos causados pela Lei Rosinha, do Rio de Janeiro. Depois de o estado negociar alíquotas de ICMS menores para novos investimentos, Juiz de Fora captou empresas e recursos, especialmente do setor de metalurgia – com destaque para Codeme, Brafer, CBU e Açotel – e aposta nelas para reverter seus números. A expectativa de crescimento é reforçada também pela nova etapa da Mercedes-Benz, que com a planta juiz-forana voltada para a produção de caminhões reabre as perspectivas de aproveitar sua capacidade instalada e atrair fornecedores.

Na contramão, ganhou espaço ao longo dos últimos anos o setor de serviços, cujo crescimento pode ser dimensionado pela arrecadação de ISS – tido hoje como uma das principais fontes de arrecadação da Prefeitura. Saúde e educação são dois segmentos que mostram fôlego, impulsionados pela grande demanda da Zona da Mata, polarizada por Juiz de Fora. O crescimento e enriquecimento das cidades vizinhas é, aliás, um dos principais desafios apontados pelos gestores econômicos, unânimes ao identificar os riscos de estar à frente de uma região com poucos recursos. Ainda no setor de serviços há destaque para a logística, uma das principais apostas da cidade para aproveitar efetivamente sua privilegiada localização e elevar de forma efetiva a arrecadação de impostos. Alguns empreendimentos já saem do papel, enquanto outros – como o gandioso Centro de Distribuição da Fiat – são esperados para breve.

O comércio também colhe bons resultados, impulsionado pelo crescimento do poder de compra da população. Revendedoras de veículos, atacadistas e supermercados viram seus negócios crescerem e respondem com investimentos e expansão de suas áreas de venda. A chegada das lojas para bairros mais afastados do Centro está consolidada, e ganha força este mês com o lançamento do Shopping Jardim Norte, que será construído em área de 86 mil metros quadrados, no local onde hoje está o Exposhop. O investimento é estimado em R$ 100 milhões, e a expectativa é de que sejam criados 1.500 empregos após a inauguração das lojas. O desafio segue sendo a revitalização da área central, fundamental para manter o tradicional comércio de porta.

A revista "Cenário" é resultado de quatro meses de trabalho e contém dados e informações levantadas pela Tribuna junto a órgãos oficiais e agentes econômicos de Juiz de Fora. As análises são feitas considerando o período posterior a 2004, data da última publicação da revista. A edição 2013 está nas bancas, junto com a edição da Tribuna deste domingo.