Variação do dólar impacta venda de pacote turístico

Dica é comprar o dólar gradativamente para minimizar o impacto em caso de nova alta
A disparada do dólar e a instabilidade da moeda nas duas últimas semanas já tiveram impacto nas vendas de pacotes turísticos internacionais na cidade. Nos últimos 15 dias, o volume de vendas teve queda de 30%. Apesar de o número de desistências ainda não ser considerável, donos de agências dizem que consumidores estão aguardando para tentar conseguir cotações menores em seus pacotes nos próximos dias. Nesta semana, o movimento já foi de redução. Ontem, o dólar comercial fechou cotado a R$ 1,822, queda de 1% em relação ao fechamento da última sexta-feira. O pico da moeda foi de R$ 1,91, valor registrado na última quinta-feira, quando atingiu valorização de quase 20% no mês.
Nas agências, o compasso dos clientes é de espera. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Marco Ferraz, o impacto só não foi maior porque as pessoas se anteciparam, e a maioria dos pacotes para o fim de ano já foram vendidos. "Os clientes já contrataram boa parte das viagens, com pagamento parcelado, para o Natal e o Ano Novo. Cerca de 80% já foram comercializados."
Segundo a supervisora de atendimento a agências da CVC em Juiz de Fora, Bruna Gonçalves Peixoto, o movimento nas duas últimas semanas caiu cerca de 30% por conta da alta da moeda. Ela diz que a operadora lançou recentemente uma promoção especial com pacotes para a Europa, mesmo com valores menores, a procura ainda não atingiu o resultado desejado. "Só fechamos pacotes de pessoas que já estavam com as reservas prontas."
Na Fama Viagens, a proprietária, Fabiana Mendes, diz que não houve cancelamentos nas últimas semanas, mas que muitos clientes pediram prazo para fechar o pacote nos próximos dias, com a esperança de que a cotação da moeda fique mais baixa. "Tivemos inclusive alguns fornecedores que não fizeram fechamentos na semana passada por conta da volatilidade da moeda ao longo do dia." A empresária não acredita que os turistas mudarão seus pacotes por conta da alta do dólar. "Acho que o impacto será maior apenas para os novos clientes. Os que já têm tradição de viajar deverão adequar seus pacotes."
De acordo com a diretora da Picorelli Turismo, Mônica Picorelli, há ocorrências de desistências, mas em número pequeno. O maior impacto, segundo ela, foi sobre viagens para a América do Sul."Como são pacotes mais curtos, as pessoas se programam com menos antecedência e podem esperar um pouco." Para a diretora, os pacotes mais programados, como Natal e Reveillon, não tiveram redução.
A bancária Mônica Viana tem uma viagem marcada para os Estados Unidos em novembro e está atenta ao aumento da moeda. Ela diz que já se planejou e reservou US$ 1.500, que foram comprados em agosto a R$ 1,68. "Tentei comprar mais na semana passada, mas desisti. Vou esperar baixar um pouco e vou evitar o cartão de crédito para não ter sustos."
Especialistas orientam compra gradativa
Para quem já fechou o pacote e está com data marcada para viajar, a dica de especialistas é comprar o dólar gradativamente para minimizar o impacto em caso de nova alta. A indicação de dividir as compras em várias etapas até que chegue a data do embarque é aconselhada para que o turista faça um preço médio da moeda. Para quem vai viajar em dezembro, a dica é dividir a compra dos dólares em três. Cada uma deve ser feita em um mês. Para aqueles que vão embarcar daqui a 30 ou 40 dias, o vice-presidente do Grupo Fitta, Rodrigo Macedo, sugere compras semanais da moeda em espécie. O uso de cartões pré-pagos também são indicados pelos especialistas.
Na cidade, também houve impacto nas casas de câmbio. Segundo a supervisora das lojas Renova na região, Gisele Souza, somente os clientes que já têm viagem marcada estão adquirindo a moeda na atual cotação. "Os que têm um tempo maior para se planejar estão aguardando um pouco." Ainda de acordo com ela, a subida da moeda, que passou de R$ 1,71 no dia 1º para R$ 1,97 ontem, ainda está assustando alguns clientes. Uma das orientações é a compra do cartão de débito, para que não haja sustos nas compras com o cartão de crédito.
Segundo o diretor do Grupo Fitta em Juiz de Fora e Zona da Mata, Carlos Eduardo Loures, o ideal é que o cliente planeje sua viagem com antecedência para evitar riscos como este. "Quem viajou recentemente só com o cartão de crédito está preocupado, pois pagará um valor muito maior do que se tivesse de programado." Ele também orienta a compra de dólares nos cartões de débito, que têm IOF de 0,38% (contra 6,38% do cartão de crédito).









