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Arcelor demite quase 5% de funcionários


Por Flávia Lopes

02/09/2011 às 07h00

A ArcelorMittal demitiu quase 5% de seu quadro e concedeu férias coletivas a trabalhadores do setor de laminação da unidade local no último mês. A medida, segundo a empresa, foi uma forma de ajustar o quadro funcional à realidade do mercado consumidor de aço no Brasil, que vem sofrendo a concorrência com produtos do exterior, além de outros fatores, como desvalorização do dólar frente ao real e aumento dos custos de matéria-prima. Foram desligados 45 trabalhadores de variados setores, e as férias coletivas englobaram 30 funcionários do setor de laminação, de acordo com a empresa. As demissões foram realizadas sem o desenvolvimento de um programa de desligamento voluntário (PDV), como foi feito em outros anos.

Segundo o gerente de Recursos Humanos e Qualidade da empresa, Ricardo Schmidt, a iniciativa foi adotada diante da situação do mercado de aço no país. De acordo com ele, há também uma política de incentivos à importação do aço, desenvolvida por alguns estados brasileiros. Devido à crise, muitos países das Europa, como Espanha e Turquia, estão trazendo seus produtos para o país, acirrando a competição. Atualmente, a empresa, que costumava exportar entre 10% e 15% de sua produção, não está mais buscando o mercado externo devido à valorização do real.

Ainda de acordo com o gerente de Recursos Humanos e Qualidade da Arcelor, muitos dos demitidos são aposentados, e outros se desligaram por iniciativa própria. O mercado para algumas profissões, como mecânicos e eletricistas, estão aquecidas, e alguns funcionários estão buscando esses segmentos. Já em relação às férias coletivas, informou que 30 trabalhadores do setor de laminação estão sem trabalhar devido à redução do ritmo na siderúrgica, em uma época em que normalmente a indústria aumenta sua produção.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, que realizou ontem as rescisões dos trabalhadores, questiona a justificativa de mercado desaquecido, dada pela empresa. Estamos vendo a construção civil no país a todo o vapor, que é o principal mercado da empresa. No nosso entendimento, os motivos apresentados não procedem. Ainda segundo ele, o sindicato tentou negociar um PDV para os trabalhadores, mas sem sucesso. Em relação às férias coletivas, o sindicato estima números diferentes. Segundo João César, seriam entre 80 e cem trabalhadores.

Na siderúrgica, as demissões surpreenderam. Um funcionário que atuava no setor de trefilaria e preferiu não ser identificado foi um deles. Por conta de um acidente da empresa, ele ficou oito meses afastado e precisou passar por duas cirurgias nos braços, onde carrega 11 pinos. Há 25 anos na empresa, ele conta que retornou ao trabalho há cinco meses e se assustou com a notícia. Outro funcionário do mesmo setor, que também preferiu não se identificar, conta que ficou 15 dias afastado devido a um problema de saúde e menos de um mês depois de voltar, recebeu a notícia. Por conta do meu problema, eles mudaram de setor. No dia 18, fiquei sabendo que seria demitido.

Medidas

Para o Instituto Aço Brasil (IABr) o setor siderúrgico vem perdendo competitividade por não conseguir acompanhar os preços dos produtos importados, que entram em maior número no mercado nacional, com a valorização do real. O cenário tende a se agravar considerando-se a existência de um excedente de capacidade de produção de aço no mundo, projetada, este ano, em 532 milhões de toneladas. Para reverter essa situação, o IABr levou aos ministros Antonio Patriota, das Relações Exteriores, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pedido para que seja nivelado o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) na importação, na faixa de 2% a 3%, o que eliminaria a guerra fiscal entre os estados.