Juiz-foranos sofrem impactos de greve


Por Gracielle Nocelli

04/10/2013 às 20h24

Diante da ausência de acordo entre as alas patronal e laboral, a greve dos bancários segue por tempo indeterminado. Nesta sexta-feira (4), o movimento completou 16 dias, e a população em Juiz de Fora já sente os impactos da situação. Durante a tarde, a Tribuna percorreu unidades do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Santander, Bradesco e Itaú, localizadas no Calçadão da Rua Halfeld e Avenida Getúlio Vargas, e encontrou dezenas de pessoas esperando em filas nas portas das agências. Segundo os usuários, em alguns locais, o autoatendimento é ainda mais demorado por conta de problemas com caixas eletrônicos. A preocupação é que a situação se agrave na segunda-feira, quinto dia útil do mês, quando a maior parte dos trabalhadores recebe o salário de setembro.

A cozinheira Juliana Aparecida, 31 anos, desistiu de realizar as transações bancárias nesta sexta-feira. "Há muita gente na fila e quatro caixas eletrônicos não estão funcionando. Parece que as máquinas não estão dando conta da demanda. Vou voltar outro dia." O aposentado Carlos da Silva, 70 anos, também teve dificuldades na primeira agência que visitou. "Não tem ninguém para nos atender", disse. "Vou em outra agência para ver se encontro algum funcionário que possa me ajudar." Quem conseguiu realizar as operações bancárias, reclamou do tempo gasto para fazê-las. "Consegui fazer o que eu precisava, mas demorei muito mais do que o habitual", contou a a fisioterapeuta Thaís Pacheco, 28 anos. "Reconheço o direito dos bancários, mas a situação está prejudicando demais. A população é quem sente os impactos da greve", declarou a telefonista Zuleika Azevedo, 39 anos.

Após quase um mês sem se pronunciar, nesta sexta-feira a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nova proposta de reajuste salarial para os bancários, de 7,1%. Em comunicado enviado à imprensa, o diretor de Relações do Trabalho do órgão, Magnus Ribas Apostólico, disse que o momento atual exige cautela, pois a "economia está num ritmo mais lento, as margens de todos os setores estão mais apertadas e a geração de emprego está em queda". Ele destaca que trata-se de "um momento de se preservar conquistas e não de aumentar custos."

O presidente do Sindicato dos Bancários da Zona da Mata e Sul de Minas (Sintraf JF), Robson Marques, afirma que a proposta já foi rejeitada pelo Comando Nacional de Greve, e o movimento seguirá por tempo indeterminado. "Há uma orientação aos sindicatos de recusa da proposta, uma vez que ela não discute melhorias nas condições de trabalho. Estamos lutando pelo fim do assédio moral e das metas abusivas", ressaltou. Na segunda-feira, a categoria se reúne em assembleia para discutir os rumos do movimento. "Continuaremos dialogando com os trabalhadores e com a população. Sabemos que a greve sempre gera transtornos, mas esta situação está se arrastando por conta da Fenaban."

 

Comércio teme perda de 30%

Na última quarta-feira, 2a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) enviou ofício à Fenaban solicitando acordo imediato com os trabalhadores. Segundo a entidade, o movimento já tem prejudicado o comércio e o prolongamento da situação irá ocasionar perdas maiores. "No quinto dia útil, milhões de consumidores recorrem aos bancos para sacar dinheiro, pagar boletos e compensar cheques. É um dos maiores momentos para o consumo interno. Se a greve se prolongar, o comércio pode sofrer perdas na ordem de 30%."

A CNDL afirma que o movimento da categoria está prejudicando "toda a economia brasileira, que atualmente se encontra em uma situação delicada e precisa de estímulos para retomar o crescimento." Em nota enviada à Fenaban, a entidade afirma que o direito de greve é legítimo, mas não pode deixar de prestar os serviços básicos à população.

Em Juiz de Fora, o Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF) também garante que o movimento tem causado transtornos para o setor local. O departamento jurídico da entidade afirma que os prejuízos causados podem ensejar uma medida judicial. "Isto pode ocorrer com a comprovação de todos os danos que estão sendo causados à sociedade. O direito de greve pode ser exercido, mas com a permanência de número mínimo de funcionários à disposição", explica o advogado Rubens Andrade Neto. "Embora a realização de greve seja um direito constitucional, esta não pode prejudicar a economia da forma como está acontecendo", completou.