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Distritos industriais saturados


Por FABÍOLA COSTA

07/08/2011 às 07h00

Os recentes anúncios de instalação de novas empresas no município impõem à Juiz de Fora um novo desafio: melhorar a infraestrutura do Minidistrito do Milho Branco e do Distrito Industrial (DI) de Benfica, próximos da saturação, e criar áreas que comportem os investimentos futuros. Criados com o objetivo de sediar plantas industriais, produzir riqueza e gerar empregos, enfrentam problemas que vão de infraestrutura deficitária e estrangulamento viário à ameaça de invasões, uma realidade no Milho Branco. Em coro, as empresas cobram, ainda, condições diferenciadas para os negócios já instalados.

Enquanto o minidistrito do Milho Branco está totalmente ocupado, em Benfica ainda há cerca de 10% de lotes vagos, segundo a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico. De acordo com o secretário André Zuchi, há poucos terrenos ociosos. As áreas disponíveis são consideradas residuais, como galpões fechados de empresas que encerraram as atividades, e em metragem inferior à demanda atual. A procura está grande. Estamos bem próximos do limite. Juntos, os núcleos sediam mais de cem empresas, dos mais variados perfis, que mantêm, pelo menos, cinco mil empregos diretos, conforme estimativas das associações empresariais e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig). A movimentação financeira não foi divulgada.

A Tribuna visitou os dois empreendimentos. No Milho Branco, o avanço das invasões é destacado pelo presidente da associação das empresas do bairro e adjacências, Carlos Eduardo Boeschenstein Horta. A área foi projetada para ser industrial e não residencial. Lá, ocupações irregulares dividem calçada com empresas sediadas. Boeschenstein cita, ainda, a necessidade de melhoria do acesso e de novo projeto viário. Em determinados pontos, é impossível dois caminhões passarem juntos. Limpeza urbana e revitalização do espaço são outras reivindicações. Na sua opinião, embora a localização do minidistrito seja boa, é preciso que as empresas tenham condições de trabalho.

Há mais de dez anos, o sócio da Estofados União Mário César Dias mantém o negócio no minidistrito. Há representantes que ficam com medo de vir à fábrica. É ruim para a gente e para a empresa. Segundo ele, as redes de esgoto e captação de águas pluviais são deficitárias, provocando alagamento do espaço em períodos de chuva. Insatisfeito, pensa em fechar as portas do galpão e teme prejuízo, já que, na sua opinião, o terreno está depreciado.

O Atacado Brasileiro da Construção (ABC) inaugurou, há cerca de três meses, um centro de distribuição no local. Diante da necessidade de expansão imediata, o diretor-presidente Tiago Moura Mendonça encontrou um depósito pronto no Milho Branco. Tiago reclamou da dificuldade para contar com os serviços de água e luz e precisou contratar transporte particular para os funcionários, diante da escassez de linhas de ônibus urbano. Ele, no entanto, destaca o acesso facilitado à BR-040, permitindo melhor escoamento da produção do que quando partia da Avenida Brasil. O que me atraiu foi sair do Centro e ter área maior para implementar uma planta mais moderna.

No DI de Benfica, as invasões às margens do Paraibuna são a principal preocupação segundo o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Assedi), Marcos Ribeiro Machado. O temor é que as ocupações irregulares cheguem às faixas de manutenção, criadas pelo Governo do estado para uma possível duplicação do principal corredor de circulação. Segundo Machado, embora não exista dificuldade de escoamento de produção, o tráfego intenso alerta para a necessidade de atenção ao sistema viário.

O presidente enumera terrenos e galpões vazios, afirmando haver espaço para a chegada de mais empresas. Para Machado, especulação imobiliária existe, mas não é diferente da verificada no restante da cidade. Lá, as reivindicações estão concentradas na falta de incentivo aos empresários sediados, como isenção de IPTU e parceria entre Prefeitura e Estado para redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Na sua opinião, as ações adotadas até hoje são tímidas, exigindo um política mais firme nesse sentido.

Prefeitura aposta em parques logísticos

A Prefeitura reconhece os problemas e pretende solucioná-los, enquanto negocia a ampliação do DI com o Governo estadual. O objetivo é integrá-lo ao Porto Seco, melhorando as condições logístico-operacionais. Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, os atuais modelos de distrito industrial são considerados ultrapassados. As apostas estão concentradas na criação de condomínios empresariais a partir de 2012. A ideia é que os parques industriais e logísticos tenham estrutura e consultoria oferecidas pela iniciativa privada e contem com incentivos do Poder Público, visando a captação de negócios.

Na última quinta-feira, a MRV Log anunciou investimento de R$ 64 milhões na criação de um condomínio empresarial com 70 mil metros quadrados na BR-040, a cerca de dez quilômetros da planta da Mercedes-Benz. As obras devem começar em dezembro, e a inauguração está prevista para julho do próximo ano. Para Zuchi, o problema de falta de áreas em Juiz de Fora deve ser resolvido com a criação desse tipo de empreendimento. De acordo com ele, além da MRV Log, outras empresas do ramo já demonstraram interesse em explorar a atividade em Juiz de Fora.

Zuchi afirma que a Prefeitura tem trabalhado para disciplinar a ocupação nos distritos industriais. Por isso, os dois se tornaram áreas de especial interesse econômico, com objetivo de flexibilizar os parâmetros urbanísticos e criar incentivos fiscais, estimulando a ocupação por unidades produtivas geradoras de emprego e renda. Na prática, novos empreendimentos e aqueles em expansão contam com isenção de IPTU e redução a 2% do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) na fase pré-operacional: de construção e aquisição de equipamentos. Ele afirma, ainda, que há empresas da cidade beneficiadas com incentivo estadual. Na busca pelo incentivo, a proatividade é do empresário. Ele precisa nos procurar e não sentar em uma cadeira e ficar reclamando da vida.

Segundo o secretário, até janeiro de 2009, 30% dos cerca de dois milhões de metros quadrados de área útil do DI fases I e II estavam ociosos. Com as políticas de atração de investimentos, foram ocupados 400 mil metros quadrados, reduzindo a taxa de desocupação para cerca de 10%, diz. Para Zuchi, pequenos problemas começaram a aparecer após o intenso trabalho de ocupação destas áreas, que estariam abandonadas. O secretário comenta que, em janeiro, foi realizada operação de limpeza urbana em Benfica, sendo o trabalho rotineiro no Milho Branco. No minidistrito, diz, há estudo avançado de melhoria do acesso viário, com a possibilidade de criação de um binário. Sobre as invasões no local, Zuchi garante que estão sendo cuidadas. A expectativa é que a ocupação localizada às margens do Paraibuna, considerada a mais problemática, seja removida por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Essa atuação está sendo feita, mesmo que não na velocidade que todos gostaríamos.

Fiemg critica especulação imobiliária

Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, em uma cidade que carece de áreas industriais, e a maior parte de lotes do minidistrito e do DI está ocupada, os poucos terrenos vazios estão nas mãos de especuladores. De acordo com Campolina, Prefeitura e Governo do estado deveriam recuperar a posse dos terrenos em que não foram construídas plantas industriais, a principal finalidade dos núcleos.

Pelas contas de Campolina, um ou dois empresários procuram o órgão, por semana, em busca de áreas industriais. Para ele, as ofertas do distrito e do mini não atendem a necessidade de grandes empresas, que exigem terrenos entre 300 mil e até um milhão de metros quadrados. Segundo Campolina, existem hoje mais de oito milhões de metros quadrados disponíveis para o setor industrial, sem acesso, nem serviços básicos, como energia elétrica. Na sua opinião, uma política industrial efetiva seria capaz de reverter este quadro.

O secretário André Zuchi afirma que a Prefeitura está atuando, em parceria com a Codemig (órgão do Governo do Estado que criou o DI), para que proprietários de metros quadrados ociosos construam ou deixem a área disponível para outras empresas investirem no local. Zuchi reconhece que alguns lotes têm sido usados para ativo e não fluxo de riqueza. Ele também destaca que há uma política de valorização dos distritos industriais e várias ações sendo feitas neste sentido.

A Codemig, por meio de sua assessoria, informa que não tem áreas à venda no distrito. A informação é que a Prefeitura estaria desapropriando terrenos ociosos para atender empresas interessadas. A companhia cita três novos projetos: Codeme, Brafer e Companhia Brasileira de Usinagem (CBU) para o DI. Os novos projetos estão sendo administrados pelo município. Ainda de acordo com a assessoria, as condições para aquisição são cinco meses para apresentação do projeto, dez meses para início da implementação e 30 meses para inauguração. Caso essas condições não sejam cumpridas, a empresa é passível de notificação. Se persistir a inadimplência, pode haver ação de rescisão de contrato. A Codemig afirmou, ainda, que não há projeto de novo distrito industrial em Juiz de Fora.