Cresce procura por curso técnico

Gabriel Ganimi aprende manutenção em mecânica e quer fazer faculdade de engenharia mecânica
A escassez de profissionais qualificados aliada ao bom momento do mercado de trabalho de Juiz de Fora está elevando a procura por cursos técnicos. Este ano, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) contabilizam cerca de 2.200 alunos. Em alguns casos, os processos seletivos totalizam até seis candidatos por vaga. Juntos, Senac e Senai oferecem 14 cursos técnicos.
O tipo de formação ofertada tem acompanhado a demanda local. No Centro Senai de Formação Profissional, localizado na Avenida Rio Branco, por exemplo, há turmas em logística e em administração. Em logística, há uma demanda por causa de Aeroporto Itamar Franco, centros de distribuição espalhados na região, condomínios logísticos e empresas da área, destaca o diretor da unidade, Vander José Montesse.
Para o próximo ano, ele divulga que os estudos deverão contemplar áreas que já estão sendo demandadas pelo mercado. É o caso de produção de moda. Temos cursos superiores na cidade, mas falta profissional qualificado em nível operacional. Estamos caminhando ainda para ter formação técnica em recursos humanos, já que as empresas têm encontrado dificuldade em encontrar empregados com qualificações específicas. Devemos criar também o técnico de informática, revela Montesse.
Já no Senai Centro Integrado de Desenvolvimento do Trabalhador Dr. Luiz Adelar Scheuer, instalado na Barreira do Triunfo e onde os cursos são mais focados em produção para a indústria automotiva, o de mecatrônica é mantido na grade para atender uma demanda constante. Já o grupo de formação em desenhista projetista foi encerrado neste ano. Fizemos apenas cinco turmas. Era uma demanda pontual da Zona da Mata e, se colocarmos mais profissionais, haverá saturação, explica o gerente da unidade Ricardo Silva.
Silva conta que o novo curso de fabricação mecânica foi criado para atender empresas que irão se instalar na cidade e também para preencher as necessidades das firmas já implantadas. Estamos antevendo as contratações que devem ocorrer a partir de 2013 com a vinda de novas firmas, a ampliação da Mercedes-Benz e do seu parque de fornecedores, diz.
De acordo com levantamento do Senai, no país são mais de quatro milhões de alunos matriculados no ensino profissionalizante, o que representa 13% dos jovens brasileiros. Ainda segundo o mesmo estudo, até 2015 o mercado vai precisar de mais de sete milhões de técnicos formados, sendo quatro milhões somente no Sudeste, onde há a maior demanda. A maior procura nacional está no setor de alimentos, com 174 mil trabalhadores, seguidos pelos operadores de máquina de costura e técnicos de controle de produção, com 88 mil profissionais em cada setor.
Empresas buscam profissionais na sala de aula
Só no Senai José Fagundes Neto, localizado na Avenida Rio Branco próximo ao Mergulhão, neste ano, há 500 matriculados nos cursos de mecânica, automação industrial, eletrotécnica, eletrônica e metalurgia. A demanda estudantil acompanha o crescimento da indústria de Minas que teve a maior alta do Brasil. Tradicionalmente, mecânica e eletrotécnica são os mais procurados, ressalta o diretor José Cláudio Biscotto.
Ele revela que, em muitos casos, a empresa vai em busca de novos profissionais dentro das salas de aula, antes mesmo de ser formarem. O técnico em mecatrônica Kelisson Alves é um exemplo. Ele foi um dos 15 contratados pela empresa metalúrgica em uma mesma turma. Eles me procuraram para participar do processo seletivo e larguei meu emprego de telemarketing. Estou em uma função diferente da minha formação, mas estando lá dentro, fica mais fácil mudar de área, relata. Agora, Kelisson pretende se graduar em engenharia elétrica ou mecânica. Sei que, na faculdade, terei um diferencial porque já vi algumas disciplinas na grade do técnico. O curso me abriu uma porta enorme.
A unidade Centro do Senai contabiliza 768 inscritos este ano. Mesmo nos cursos pagos, o mínimo é de cinco a seis candidatos por vaga, comemora o responsável pela unidade, Vander José Montesse. Já na Dr. Luiz Adelar Scheuer, a procura dobrou nos últimos dois anos. A concorrência passou de dois para quatro candidatos por vaga. Os candidatos não estão mais iludidos só com curso superior. Eles podem até não trabalhar na área de formação, mas só conseguem o emprego por causa do diploma de técnico, pondera Ricardo Silva.
Este foi o caso do técnico em mecânica Fábio Miranda. Depois de concluir curso no Senai em 2008, ele hoje trabalha na área de manutenção industrial da fábrica da Becton Dickinson. Estava atuando em usinagem na empresa e, após uma prova, com diploma em mãos, consegui mudar de função. É um diferencial e aumentou também meu salário, conta.
Aos 17 anos, Gabriel Ganimi cursa o ensino médio pela manhã e, à tarde, aprende manutenção em mecânica. Com o diploma, quero arrumar um emprego na área e, paralelamente, fazer superior em engenharia mecânica. Será uma fonte de renda para manter a continuidade dos meus estudos na faculdade.
No Senac, onde são formados 600 profissionais em estética, turismo, informática, gestão e saúde por ano, as vagas são preenchidas rapidamente, segundo o diretor escolar André Luiz Carvalho. Nossos alunos sabem que vão encontrar emprego no mercado. Em alguns dos cursos, a absorção é de 100% dos candidatos.
Ingresso
Para ingressar nos cursos técnicos, é preciso que o estudante tenha mais de 16 anos, com nível fundamental completo e que esteja matriculado ou tenha concluído o ensino médio. A formação pode ser paga ou gratuita. No segundo caso, o ingresso se dá através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ou do Programa de Educação Profissional (PEP).
Os interessados devem ficar atentos às chamadas do Governo para tais programas e também para divulgação dos processos seletivos das unidades Senai e Senac. É importante que os alunos mantenham sempre contato conosco para saber das oportunidades e até da existência de possíveis vagas ociosas, orienta o diretor do Senai José Fagundes Neto, José Cláudio Biscotto. Mais informações nos sites www.senai.br e www.senac.br.









