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Artefato explosivo encontrado mobiliza Bope na Zona Sul de JF

Esquadrão Antibombas de BH chegou pela manhã ao Aeroporto da Serrinha e neutralizou material achado em guarda-roupas


Por Michele Meireles, Sandra Zanella e Gabriel Silva, estagiário sob supervisão da editora Rafaela Carvalho

29/08/2019 às 10h32- Atualizada 30/08/2019 às 12h23

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Com roupa especial, militar neutralizou artefato explosivo encontrado no local (Foto: Olavo Prazeres)

Um artefato explosivo encontrado dentro de uma residência em construção no Bairro Guaruá, Zona Sul de Juiz de Fora, mobilizou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) nesta quinta-feira (29). A equipe sediada em Belo Horizonte desembarcou no Aeroporto da Serrinha por volta das 10h30 e seguiu para a casa, na esquina das ruas Apiacás e Anhanguera. Com roupas especiais, os dois policias militares, inicialmente, neutralizaram o material, localizado no interior de um guarda-roupas do imóvel. No local mora um jovem casal, preso por tráfico de drogas em ação desencadeada pela PM na quarta-feira (28), quando cerca de 25kg de maconha foram apreendidos e mais duas pessoas foram detidas. Por volta das 13h30, o Esquadrão Antibombas fez a detonação do explosivo no próprio terreno onde estava o artefato. Os trabalhos transcorreram de forma planejada e não houve feridos.

A bomba foi achada durante diligências efetuadas pelos policiais nas casas de todos os quatro presos por tráfico de entorpecentes. A área da residência foi isolada, não sendo permitido à imprensa o acompanhamento, devido aos riscos da operação. De acordo com o comandante do Tático Móvel, tenente Fábio Almeida, após a inutilização do objeto, a equipe do Bope relatou se tratar de “um cartucho de munição explosiva, de aproximadamente 200g, incluindo o detonador pirotécnico com potencial de destruição, de possível morte ou mutilação de membros”. Além disso, o batalhão especializado confirmou que o artefato improvisado é comumente utilizado em ataques a caixas eletrônicos e ressaltou o perigo que o explosivo representava para os moradores do imóvel e também das imediações, devido ao seu potencial.

O sargento do Bope Marcelo Portela explicou a demora no procedimento devido à necessidade de aguardar a Perícia da Polícia Civil, que fica como responsável por se tratar de local de crime. “Normalmente, nós do Esquadrão Antibombas auxiliamos os peritos, porque o material gera risco de morte e dano. Então o procedimento é aguardar a Perícia para que faça o trabalho que for possível, e depois fazemos o nosso, com o desmantelamento do artefato.”

Casal preso estava com filho de 2 anos

A operação de combate ao tráfico de drogas que culminou na localização do artefato explosivo e na consequente mobilização do Bope foi realizada na quarta-feira, após a PM receber informações de um denunciante anônimo, que preferiu não se identificar por temer represálias. Segundo o relato dele, três indivíduos estariam dentro de um veículo no estacionamento de um supermercado atacadista às margens do Acesso Norte, na altura do Bairro Industrial, se preparando para a entrega de entorpecentes a vários vendedores. Com base na denúncia, policiais militares seguiram para o local informado e avistaram um carro com as mesmas características repassadas. Os ocupantes foram abordados e receberam ordens para desembarcar do automóvel com as mãos para cima.

Um jovem de 18 anos cumpriu a determinação e foi submetido a busca pessoal, sendo flagrado com uma porção de maconha escondida na região da cintura. Já o morador do Guaruá, 24, teria aproveitado que estava com seu filho, de 2 anos, e se abaixado no interior do veículo, supostamente para tentar esconder os demais materiais ilícitos. No entanto, a ação dele foi frustrada pelos militares, que se aproximaram e mandaram o suspeito sair do carro com a criança no colo. Durante a varredura no automóvel, a PM encontrou três tabletes de maconha. Em seguida, a equipe abordou a mãe do menino, 21, no interior do supermercado.

Devido à presença da criança, os policiais seguiram até a casa da avó materna, 42, para que ela ficasse responsável pelo neto. No entanto, posteriormente, quando a PM já estava na residência do casal no Guaruá, a mulher compareceu ao endereço falando ao celular, “gritando que sua filha estava sendo ameaçada pelos policiais”. Ela acabou presa por calúnia e também por suspeita de ser a responsável pela organização financeira do tráfico, conforme denúncia anônima. Segundo o comandante do Tático Móvel, tenente Fábio Almeida, para seguir até o local, a avó deixou o neto com outro responsável.

Morador da casa é preso por tentativa de suborno

Além de ser preso em flagrante por tráfico de drogas, o morador do Guaruá recebeu voz de prisão por mais dois crimes: tentativa de suborno e desacato. Conforme a PM, ainda no pátio do supermercado no Acesso Norte, onde teve início a operação, o rapaz de 24 anos chamou o comandante, tenente Fábio Almeida, oferecendo o carro em que estava em troca de sua liberdade. Diante da negativa e da nova ordem de detenção recebida, o homem teria começado a desacatar o oficial com palavras de baixo calão, sendo novamente repreendido por desacatar funcionário público no exercício de sua função.

Ainda conforme a PM, o jovem de 18 anos teria confessado ser o “guarda-roupas” do bando, pessoa que se dispõe a armazenar as drogas. Diante da informação, os policiais seguiram até a casa dele, no São Pedro, Cidade Alta. Em um fundo falso na última gaveta do armário, a equipe encontrou uma sacola com quatro barras de maconha inteiras, outras seis cortadas ao meio e mais duas porções da substância. Também foram apreendidos seis celulares e um notebook.

A suspeita da polícia é que os entorpecentes pertenceriam ao morador do Guaruá, identificado como “patrão” no telefone do “guarda-roupas”. Quando ele ouviu sua mulher dizer onde era sua casa, teria gritado de dentro da viatura: “não fala, tem flagrante lá”. Para surpresa dos policiais, havia na residência o artefato explosivo, além de porção de maconha, caderno com a contabilidade do tráfico e uma nota de dez dólares. Perante o perigo iminente, o Tático Móvel decidiu isolar a área e acionar o Bope. O local só foi liberado na tarde de quinta, após a detonação.

A varredura no Guaruá também contou com o auxílio do cão farejador Ayron de Lieudegarde, que localizou outra porção de maconha na boleia de um caminhão velho estacionado no quintal. Todos os quatro presos foram levados para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha. O caso será investigado.