Trabalhadores do transporte coletivo fazem passeata no Centro
Ato iniciado após assembleia geral foi do Largo do Riachuelo à Câmara
Trabalhadores do transporte coletivo urbano realizaram uma manifestação, na manhã desta quarta-feira (7), com uma passeata pela pista central da Avenida Rio Branco, no Centro de Juiz de Fora. Alguns passageiros chegaram a desembarcar dos ônibus devido ao congestionamento ocasionado pelo movimento, que contou com carro de som trafegando pelo corredor central. O protesto começou pouco antes das 11h, logo após o término da assembleia geral, quando foram apresentadas à categoria as propostas patronais relativas ao acordo coletivo.
A passeata partiu da sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro), no Largo do Riachuelo, e seguiu até a Câmara Municipal, no Parque Halfeld. Conforme a categoria, o objetivo foi chamar a atenção das autoridades para a insatisfação dos trabalhadores diante da negociação salarial. Com a movimentação, o trânsito na região central ficou comprometido até o fim da manhã. A Secretaria de Transportes e Trânsito informou que, devido à manifestação, agentes de trânsito estiveram no local controlando o fluxo de veículos.

Assembleia em dois turnos
Motoristas e cobradores voltaram a se reunir, na parte da tarde, para nova reunião. Na ocasião, o sindicato voltou a expor e debater o andamento das negociações com os trabalhadores que não puderam comparecer na assembleia da manhã, por estarem em horário de serviço. Ao contrário do que estava previsto, a categoria não deliberou por nova passeata pela Avenida Rio Branco no final do dia. No entanto, assim como na primeira reunião, a oferta patronal foi rejeitada por unanimidade.
Segundo o Sinttro, a campanha salarial foi iniciada em maio e, na semana passada, a diretoria da entidade se reuniu com os patrões, que teriam oferecido reajuste de 2% e R$ 30 de acréscimo no tíquete-alimentação. Ainda conforme o sindicato, a classe patronal teria sinalizado a retirada da cesta básica recebida pela categoria há cerca de 30 anos. Os trabalhadores pleiteiam 9% de reajuste e aumento de R$ 70 no tíquete, que passaria dos atuais R$ 350 para R$ 420, além da garantia da cesta básica.
“Queremos que os empresários garantam todas as cláusulas do acordo coletivo e que as negociações avancem. Precisamos aumentar o índice e chegar a um consenso, senão vamos continuar com os movimentos”, garantiu o presidente do Sinttro, Vagner Evangelista Corrêa. Segundo ele, por enquanto, não há ameaça de paralisação, apenas protestos pontuais. “Mas, se insistirem em tirar benefício do trabalhador, podemos partir para movimento paredista”, completou o sindicalista. Outra reunião entre as partes está marcada para a manhã desta quinta (8), quando o sindicato vai apresentar a resposta negativa dos trabalhadores e tentar avançar.
O que dizem as empresas
A Astransp (que representa o Consórcio Manchester e a Viação São Francisco Ltda – uma das integrantes do Consórcio Via JF) informou que as empresas, durante a negociação salarial, esperam sensibilizar a categoria profissional. A Astransp alegou que visa a sobrevivência do sistema e a manutenção do serviço prestado dentro de níveis adequados, mediante o alegado desequilíbrio econômico financeiro do atual contrato de concessão. O posicionamento é que o desequilíbrio estaria resultando em acúmulo de expressiva desvantagem entre despesas e receitas. A associação afirmou que, por esse motivo, não vislumbra grandes avanços, mas que as empresas garantem a data-base e não deram por encerradas as negociações.
A Ansal se posicionou por meio de nota, em que afirma que “não medirá esforços no intuito de achar um bom termo para com a categoria.” O texto faz alusão ainda à crise econômica. “Precisamos deixar claro o momento que o transporte público de JF atravessa. Temos responsabilidade e mantemos todos nossos compromissos financeiros em dia. Não podemos nos submeter a assumir algo que venha a comprometer nossas obrigações com a nossa equipe (e consequentemente suas famílias), tampouco com nosso usuários”, diz a nota.









