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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

09/09/2014 às 06h00

O SAPO FOI JUNTO

Caros e caras, não chego a ser um veterano em termos de futebol de Juiz de Fora, mas tenho lá meus aninhos de cobertura e mais ainda de arquibancada, torcendo para o Tupi. Me lembro bem da inauguração do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, à qual estive presente. Lembro também que o Carijó relutava em mandar suas partidas por lá, chegou a realizar alguns jogos no até então conhecido como Regional, sem muito sucesso. Até o fim da década de 1990, o clube juiz-forano preferia sediar seus confrontos no Salles Oliveira, em Santa Terezinha, mesmo tendo uma arena maior e em melhor estado do que o seu – já naquela época – antigo campo.

Os motivos eram muitos, mas me lembro bem no ideário do torcedor – que em termos de futebol marca verdades indeléveis, mesmo que sejam baseadas em pura fantasia: a razão era que o novo local de mando dava azar. Assim, o coletivo popular arquibaldo local não tardou a ligar A e B e fez surgir uma explicação lendária para os insucessos do Tupi no Mário Helênio. O raciocínio era simples: como o lugar era um antigo brejo, a probabilidade de haver um sapo enterrado onde foi construído o Estádio Municipal era grande – e pelas decepções do Carijó, fato. Desde a maldição que Arubinha, ex-atleta do Andaraí, jogou para cima do Vasco, nos anos 1930, enterrando um batráquio no gramado de São Januário e pedindo que o Cruz-Maltino ficasse 12 anos sem ser campeão por ter goleado sua equipe por 12 a 0, todos sabem que ter um bichinho como esse sepultado em seu terreno não é bom.

Os anos se passaram, o clube adotou de vez o Estádio Municipal como casa nos anos 2000, a torcida local se habituou a frequentar o Mário Helênio, vitórias vieram, mas sempre que havia algum revés, principalmente inesperado, era possível ouvir um ou outro torcedor sussurrar a história do sapo enterrado no gramado. A meu ver, a lenda teve seu fim no último domingo. A explicação é simples: como arrancaram o antigo gramado, o sapo foi junto. E mais, para provar que sapos não são mais o problema, o destino tratou de colocar o Sapão da Mogiana para sofrer um avassalador atropelamento sob o olhar de quase quatro mil pessoas na reinauguração do solo sagrado – mesmo que ainda irregular – da arena local. Que os dias de vitórias fantásticas como a última sobre o Mogi Mirim se multipliquem, estimulando o imaginário de quem frequenta a arquibancada a criar uma história explicando o motivo de tantas goleadas no Helenão.