Professores criticam proposta do Governo e mantêm greve

De acordo com estudo da Apes, com a nova proposta, mais de 40% dos docentes terão perdas até 2015
*Atualizada às 19h57
Os professores federais de Juiz de Fora, em greve há 63 dias, rechaçaram, por unanimidade, a proposta do Governo para reajuste e reestruturação da carreira e decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. Em assembleia realizada nesta quinta-feira (19), na sede da Associação dos Professores do Ensino Superior (Apes), no Campus da UFJF, o comando local apresentou análise sobre como os 45% de reajuste escalonado nos próximos três anos irão incidir sobre os 1.223 docentes, entre professores da UFJF, do Colégio de Aplicação João XXIII e do IF-Sudeste. Conforme o estudo, mais de 40% dos docentes terão perdas até 2015. Outro ponto rejeitado foi o novo plano de carreira. A inclusão de um critério, ainda desconhecido, que será definido pelo Ministério da Educação (MEC) para a progressão dentro de cargos, desperta desconfiança nos servidores.
Para um dos líderes do comando local de greve, Rúbens Luiz Rodrigues, o índice apresentado pelo Governo "é mentiroso e visa à manipulação da opinião pública e ao desgaste do movimento perante a população". Para a categoria, o índice não leva em consideração a projeção da inflação acumulada para o período de cinco anos (o último reajuste concedido foi em 2010), que é de 32%, segundo o Dieese. De acordo com o levantamento feito pelos docentes, com a proposta, apenas um pequeno grupo, cerca de 1%, teria um aumento real da ordem de, no máximo, 10%, no final do escalonamento. "Isso sem falar dos mais de 41% que terão perdas garantidas e dos 58% que podem vir a ter perdas caso a projeção da inflação não seja tão positiva, como aponta o Dieese", reclama outro representante da categoria, Paulo Villela.
Plano de carreiras
Dentro do plano de carreira, a proposta dos professores é de que 13 níveis de cargos sejam efetivados e que as diretrizes que irão regular os reajustes contemplem, de maneira padronizada, as titulações e respeitem a autonomia da instituição em normatizá-las. "Atualmente não há qualquer padrão para a ascensão na carreira. Cada nível tem o seu próprio índice, e isto vem provocando distorções dentro da própria categoria. Sem falar que, com a nova proposta, não será mais a instituição que irá normatizar as diretrizes para a promoção, e sim o MEC. Não podemos concordar com normas que ainda serão elaboradas", explicou Villela.
Negociação
Ao final do encontro, os educadores reafirmaram que o movimento quer a negociação e que, a posição do Executivo de dizer que a proposta apresentada é única não demonstra vontade em discutir. "Esta proposta inicial não encerra as discussões, muito pelo contrário, elas abrem as negociações", afirmou Rúbens. No próximo dia 23, representantes do comando nacional de greve serão recebidos no Planalto por representantes do Ministério do Planejamento e da Educação. Antes disso, nesta sexta-feira (21), o comando local tem um encontro marcado com o reitor da UFJF, Henrique Duque, no qual, entre outras pautas, pretende conseguir um apoio formal da instituição ao movimento. No dia 27, uma assembleia geral foi convocada para discutir o encontro em Brasília.









