Possível debandada da base se torna declarada na Câmara
Ainda faltam dez dias para o fim das convenções, mas a campanha eleitoral começou ontem na Câmara. E o desequilíbrio provocado na já desestabilizada base governista pela oficialização da candidatura do deputado Bruno Siqueira (PMDB) à PJF, que até então estava restrito às conversas de bastidores, tornou-se manifesto, na noite de ontem, no palanque mais caro aos parlamentares: a tribuna da Casa. A discussão de mais de uma hora e meia começou com críticas do vereador Júlio Gasparette, correligionário de Bruno, à publicidade feita pela Administração, nesse último mês antes do período eleitoral, de obras que ainda vão acontecer na cidade. E isso inclui a mostra de maquetes exposta até o fim de junho no Parque Halfeld e até o convite para o lançamento dos projetos das Praças dos Esportes e das Culturas (PEC) dos bairros Araújo e Santa Efigênia, que será realizado nos próximos dias 23 e 24, nas comunidades, sendo que a abertura da licitação das obras só acontecerá no dia 28. "O prefeito Custódio Mattos (PSDB) está fazendo o que o prefeito anterior fez: encheu essa cidade de aventuras."
Essa foi a deixa para que o vereador Luiz Carlos dos Santos (PTC), há muito afastado dos defensores mais veementes do Governo, voltasse à carga contra os gastos com publicidade no âmbito do Executivo e declarasse abertamente que há grandes chances de seu partido, integrante da base desde sempre, pular no colo de Bruno. "No ano passado foram gastos R$ 9,5 milhões em publicidade. Quanto vai gastar neste ano?", provocou. "Além de gastar para fazer essa cosmética aqui na Rio Branco tem que gastar mais não sei quantos milhões para divulgar uma obra que nada mudou? É por isso que alguns partidos podem participar de um plano B em Juiz de Fora. O PTC e o PP juntos já são um chapão e, junto com o PV e outras siglas, podem fazer parte de um plano B para salvaguardar 2014. Já há um pensamento nesse sentido, e temos tempo para refletir até o dia 30."
Rebate
O discurso do vereador foi ironizado por Rodrigo Mattos (PSDB). "As questões políticas da sua fala não ficaram claras. Um chapão para quê? Para a disputa proporcional?", questionou, rebatendo os ataques. "Vossa Excelência tem que se informar melhor sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, que diz que uma administração só pode gastar com publicidade em ano eleitoral o que gastou no ano anterior. Além disso, em relação à publicidade, um gestor tem dever de informar sobre seus atos. Todos nós vereadores também fazemos informativos para tornar público o que fazemos nos nossos mandatos. Se o senhor não faz isso, deveria fazer. " Diante da acusação de falta de clareza, contudo, Luiz Carlos foi ainda mais explícito: "Um chapão compondo com o Bruno para termos uma terceira via em Juiz de Fora".
Líder do Governo diz que sigla só decide em convenção
O vereador José Emanuel (PSC) desaprovou as investidas contra o chefe do Executivo. "Para mexer na Rio Branco, o prefeito teve que ter coragem. Hoje fica muito fácil criticar, mas será que o prefeito Custódio Mattos foi tão ruim assim? Ele resgatou Juiz de Fora. Um plano B tem que ser com serenidade."
Apesar da manifestação favorável de José Emanuel a Custódio, entretanto, o vereador Noraldino Júnior, que também é do PSC, pôs em dúvida a posição da legenda, apesar de sua condição de líder do Governo. "Vossa Excelência (José Emanuel) usou a palavra de maneira certeira. Só saberemos como cada partido irá caminhar após as convenções. Já conversamos com representantes da professora Margarida (Salomão, PT), com o deputado Bruno Siqueira, conversamos diariamente com o Governo. Mas nosso partido só tomará decisão na convenção."
Em defesa do Executivo, Rodrigo pediu comedimento para não interferir nos trabalhos da Câmara. "Estamos com a consciência muito tranquila e um discurso muito concreto de realizações", declarou. "Esse período é de fofocas. Uma hora um partido está com um, outra hora com outro. Vamos aguardar esses dez dias até as convenções."









