Greve dos médicos segue até quarta-feira
A greve deflagrada ontem pelos médicos servidores públicos municipais continua, pelo menos, até quarta-feira. As negociações com a categoria prosseguem pelas próximas 48 horas, assegurou o secretário de Saúde de Juiz de Fora, Cláudio Reiff, que admitiu apresentar ainda hoje uma nova proposta que contemple parcialmente as reivindicações. "No ano passado, conseguimos algum avanço na questão dos plantonistas de urgência e emergência. Estamos trabalhando agora para avançarmos um pouco mais, mas é preciso considerar que são 20 anos de defasagem salarial da categoria." Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, havendo uma proposta concreta da Administração que contemple as demandas dos médicos, o movimento pode acabar ainda amanhã. "Se nos for apresentado algo concreto, dentro daquilo que estamos pleiteando, pode acabar com isso (greve) na quarta-feira mesmo."
Quanto à recomposição de perdas inflacionárias, anunciada ontem pela Prefeitura, o secretário-geral do Sindicato dos Médicos, Geraldo Sette, disse que os percentuais não contemplam a categoria. "A campanha dos médicos tem foco na reestruturação da carreira, e uma simples recomposição não nos contempla." A reivindicação de reajuste encaminhada pela categoria ao secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, era de 15%. As demais demandas envolvem concurso público para médicos da Estratégia Saúde da Família (ESF), estruturação e valorização das carreiras na atenção secundária e na urgência e emergência. Durante audiência pública para tratar da questão do atendimento ao SUS, na última semana, os médicos reclamaram também da falta de estrutura para trabalhar.
No primeiro dia de greve, a adesão de forma geral, segundo Gilson Salomão, foi de cerca de 70%. Ele chama atenção para a participação massiva dos profissionais da atenção secundária que atendem no PAM-Marechal e informou que, no caso das Unidades de Atenção Primária (UAPs), ainda há desconhecimento em relação a algumas questões legais do movimento, o que justificaria a baixa adesão. Já a Secretaria de Saúde divulgou nota afirmando que "a assistência nas unidades de urgência e emergência não foi comprometida", o que engloba Samu e Resgate. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Santa Luzia e São Pedro, segundo a secretaria, o fluxo de atendimento também foi normal. Nas UAPs, conforme a nota, 75% tiveram funcionamento normal e, nas demais, a adesão foi total ou parcial. A secretaria afirma que os municípios pactuados foram informados de que as consultas da segunda-feira seriam desmarcadas e remarcadas assim que a situação se regularizasse.









