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Quase três mil servidores parados


Por Renato Salles

09/08/2012 às 07h00

Henrique Duque conversa com representantes da Apes

Henrique Duque conversa com representantes da Apes

Quase três mil servidores federais estão parados em Juiz de Fora em adesão ao movimento nacional da categoria. De acordo com a avaliação dos sindicatos de classe, a greve atinge a maioria dos 1.800 professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas (IF-Sudeste); 80% dos 1.200 trabalhadores técnico-administrativos da UFJF, o que corresponde a 940 profissionais; e todos os 13 fiscais federais agropecuários ligados ao Ministério da Agricultura. No total, 2.753 funcionários estão de braços cruzados. O número pode ser ainda maior. Na última terça-feira, os policiais federais também deram início a sua mobilização, e a estimativa é de uma adesão de 70% da categoria. Por questões de segurança, o Sindicato dos Policiais Federais no Estado de Minas Gerais (Sinpef-MG) não revelou o efetivo da Polícia Federal na cidade.

 

O movimento dos docentes da UFJF e do IF Sudeste completa hoje 80 dias e já ameaça comprometer o ano letivo dos estudantes. Outros setores das duas instituições, como as bibliotecas e unidades do Restaurante Universitário, por exemplo, também estão comprometidos pela mobilização dos técnico-administrativos iniciada há 59 dias. A paralisação dos policiais federais afeta a emissão de passaportes e certidões negativas. Por outro lado, a greve dos fiscais agropecuários não implicará em risco de desabastecimento de alimentos em Juiz de Fora. Ontem, outras duas classes de servidores realizaram protestos de advertência. Os auditores fiscais da Receita Federal pararam suas atividades e decidiram, em assembleia, manter a operação padrão no porto seco por tempo indeterminado. Já os policiais rodoviários federais fizeram a Operação Segurança II, que também teve intuitos políticos e tumultuou o trânsito na BR-040, em Dias Tavares. Os funcionários do Hospital Universitário também fizeram ações contra a privatização da instituição no HU Santa Catarina e no CAS Dom Bosco

 

As mobilizações trazem para a cidade uma rotina de assembleias, atos públicos e negociações. Ontem, representantes da Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes) se encontraram com o reitor da UFJF, Henrique Duque, e pediram que ele intercedesse junto à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), na tentativa a forçar o Governo federal a reabrir as negociações. Na semana passada, o Ministério do Planejamento divulgou nota afirmando que a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) aceitou assinar um acordo assegurando reajuste aos docentes. Entretanto, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes) e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe) rechaçaram o acerto.

 

"Estamos também sugerindo uma contraproposta, uma iniciativa que parte de Juiz de Fora, à reivindicação do Andes", afirma Rubens Luiz Rodrigues, presidente da Apes. Para a associação, com a destinação de R$ 5 bilhões em dois anos, e não R$ 4,2 bilhões em três anos, como propôs o Ministério do Planejamento, seria possível reduzir as perdas salariais e dar início a uma reestruturação da carreira, como solicita o sindicato nacional. Os docentes da UFJF realizam uma nova assembleia hoje pela manhã, assim como os técnicos-administrativos, que vão avaliar proposta de reajuste salarial de 15,8% apresentada pelo Governo. As demais categorias também têm encontros e rodadas de negociações agendados para esta semana.

 Protesto da PRF leva a fila de 2km na 040

  Motoristas que passaram na manhã de ontem pelo trecho da BR-040 próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no km 767, em Dias Tavares, Zona Norte, enfrentaram retenções em decorrência de uma fiscalização-protesto. A manobra, deflagrada pela categoria em todo o país, consistiu na intensificação das abordagens, sobretudo aos veículos de carga, para chamar a atenção para problemas da corporação, que aponta falta de efetivo e de condições de trabalho. Os policiais rodoviários reivindicam a reestruturação da carreira, de nível intermediário para nível superior, a ampliação do efetivo, com realização de mais concursos, o pagamento de adicional noturno e insalubridade e a manutenção da aposentadoria com o salário da ativa.
 

  A ação teve início às 7h e, por volta das 9h30, uma longa fila de veículos ocupou cerca de dois quilômetros da rodovia no sentido Belo Horizonte/Rio de Janeiro. Condutores de caminhões, cegonheiras e carretas, principalmente as que transportavam contêiner, foram parados e tiveram suas cargas e documentações fiscalizadas.  
"A categoria solicitou a Operação Segurança II com dois objetivos. O primeiro é a fiscalização institucional, porque os acidentes com veículos de carga tem trazido grande preocupação. Verificamos se as cargas estão acondicionadas ou presas corretamente, excesso de peso e notas fiscais", informou o chefe da delegacia da PRF em Juiz de Fora, Marco Lisboa. "Também queremos sensibilizar a sociedade sobre as nossas carências, pois há muito tempo reivindicamos a reestruturação da carreira e o aumento do efetivo", completou. Ontem, por exemplo, mesmo com reforço, apenas oito policiais rodoviários ficaram responsáveis pela fiscalização de todo o fluxo da BR-040, no trecho por onde passam diariamente entre 11 e 15 mil veículos.

  "Não temos condições de atender a todas as demandas. Temos que nos deslocar para acidentes e também fazer o registro das ocorrências. As tarefas da instituição são imensas, e o efetivo não está dando conta. Nossas condições de trabalho também são ruins. O celular não funciona em várias partes das rodovias por falta de antena, e nossa comunicação precisa ser rápida", observou Lisboa. O chefe local da PRF lembrou que o fluxo de veículos aumenta a cada dia e que não há estrutura para fiscalizar esse tráfego, contribuindo para a incidência de acidentes. "Não viemos para fechar a pista, mas para trabalhar. Houve mais rigor na fiscalização, o que não acontece todos os dias por falta de motivação, tempo e estrutura para fazer isso."
O inspetor da PRF Elvimar Cotrim, ligado ao Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais (SINPRF/MG), lembrou que as negociações já duram dois anos. "O Governo não foi sensível, e a PRF está se fazendo valer. Toda a riqueza do Brasil passa por aqui, e o baixo efetivo faz com que uma fiscalização como essa demore. Não queremos aumento salarial, mas a reestruturação do plano de cargos e a melhoria das condições de trabalho." Segundo ele, em três anos, 35% dos PRFs do país estarão aptos a se aposentar, o que agravaria ainda mais o deficit. "Nossa greve está para ser deflagrada a qualquer momento."