De projetos a vale-tudo de bordões
Assim como acontece com os candidatos a prefeito, para os quais o tempo de rádio e TV é a oportunidade mais eficaz de apresentar propostas para o maior número de cidadãos, para os que pleiteiam uma vaga no Palácio Barbosa Lima é o momento de marcar seu nome na cabeça do eleitor. Com o tempo exíguo, contudo, as estratégias para otimizar os pedidos de votos variam de mensagens genéricas em prol de temas mais relevantes para a cidade – e que nem podem ser aprofundados, já que a execução depende muito mais do Executivo que do Legislativo – até o lançamento de bordões que destaquem o candidato em meio a mais de quatro centenas de concorrentes, como o inusitado Colé (PTB) que se limitou a falar, além do número, quatro sílabas: o próprio nome e o slogan "Tá lá".
Na estreia do horário eleitoral gratuito ontem, alguns dos atuais vereadores misturaram-se a antigos parlamentares que querem recuperar suas cadeiras e políticos principiantes que buscam "um lugar ao sol". O primeiro a mostrar a cara na televisão foi Roberto Cupolillo (Betão, PT), que tenta a reeleição. Além dele, dos 19 atuais legisladores, 12 tiveram suas propagandas exibidas ontem: Castelar (PT), Isauro Calais (PMN), Francisco Canalli (PMDB), Figueirôa (PMDB), Gasparette (PMDB), Luiz Carlos dos Santos (PTC), Chico Evangelista (PP), Noraldino Júnior (PSC), Rodrigo Mattos (PSDB) e João do Joaninho (DEM) à tarde e Flávio Cheker (PT) e José Laerte (PSDB) à noite.
Entre eles, alguns aproveitaram-se de especificidades do mandato para angariar a simpatia dos votantes. Castelar ressaltou que é "o único vereador que recusou o 14º e o 15º salário", enquanto Isauro, apesar de estar disputando o quinto mandato, optou por destacar que continuará "defendendo o idoso", luta que encampou nesta Legislatura. Luiz Carlos foi outro que deu ênfase, no ar, a um assunto que seus colegas de Parlamento não aguentam mais ouvir: o cartão de vale-transporte. Já João do Joaninho enfatizou que mantém "carros de apoio para transporte de paciente", apesar de não ter dito que paga o serviço com a verba indenizatórias da Câmara, a qual tem direito a título de reembolso das despesas com o mandato.
Na tentativa de voltar ao Barbosa Lima, o novo petista Juraci Scheffer fez questão de dizer que já foi "o vereador mais votado de Juiz de Fora", ao passo que Vanderlei Tomaz (PTB) lembrou ser o autor da Lei Murilo Mendes. Dos ex-mandatários que querem retornar à vida pública, contudo, o mais incisivo foi o ex-prefeito Alberto Bejani (PSL), que, embora impugnado, permanece no páreo até que se esgotem os recursos. "Estão até achando que não existem mais bejanistas. Não é verdade. Estamos vivos e somos um número grande." Esta deve ser de fato a aposta da legenda, já que ele foi o "astro" solitário da propaganda do PSL.








