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Partidos fracos favorecem herança política


Por Ricardo Miranda

31/10/2012 às 17h12

Para 15 candidatos de Juiz de Fora nas eleições deste ano, vocação política vem do berço. Eles são filhos, irmãos e sobrinhos de ex-vereadores, /ex-prefeitos e deputados com o desafio de manter a tradição familiar na vida pública. Seus discursos mesclam a herança do aprendizado em casa com o apelo à renovação. As chances de eleição, na maioria dos casos, são boas. "Quando se tem uma nível de competitividade tão grande, em uma disputa selvagem, como acontece nos pleitos legislativos, a recorrência ao capital político acumulado acaba sendo um bom negócio", avalia o cientista político da Universidade Federal de Viçosa, Diogo Tourino. A referência ao nome da família na propaganda eleitoral e no material de campanha, segundo ele, tem peso por conta do modelo político partidário brasileiro. "Os eleitores votam nos candidatos e não nos partidos. Aliás, no interior dos partidos é que acontecem as disputas mais acirradas."

Um bom exemplo, no caso juiz-forano, é do candidato a vereador Aristóteles Faria (Toti-DEM). Em seu curto discurso no horário eleitoral gratuito, ele faz alusão ao seu pai, o médico e ex-vereador Romilton Faria (DEM). Estratégia semelhante é usada pelo concorrente do PMDB, Maurício Delgado, que é sobrinho do ex-prefeito Tarcísio Delgado (sem partido) e primo do deputado federal Júlio Delgado (PSB). No seu material campanha, ele faz referência ao legado político familiar. Também na lista dos herdeiros com apelo direto à tradição doméstica, o candidato André Mariano (PMDB), invariavelmente, anda com o pai, o ex-vereador Mariano Júnior, à tiracolo. Há ainda o Vitor Augusto Fagundes de Oliveira (PMDB) que está no páreo com o nome do pai, o ex-vereador João de Deus.

A acirrada disputa no interior dos partidos destacada por Diogo Tourino tem um agravante no PTB. Além de concorrem internamente na mesma sigla, José Geraldo de Oliveira e Vicente de Paula Oliveira (Vicentão) competem também em casa, pois são irmãos. Complicação semelhante poderia acontecer caso o vice-prefeito e candidato à reeleição, Eduardo José Lima de Freitas (PDT), tentasse voltar à Câmara Municipal. É que sua sobrinha, Monique Freitas (PSL), está no páreo por uma cadeira de vereador. Seu sonho é seguir os passos do avô, Eduardo Jorge Vidal de Freitas, que é pai do vice-prefeito e também exerceu a vereança.

Pai e filho no páreo
Diferentemente dos casos onde a disputa partidária e familiar é problema duplicado, o prefeito e candidato à reeleição Custódio Mattos (PSDB) e o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) fazem da relação de correligionários e de pai e filho um bom negócio para ambos. Tudo bem que não disputam os mesmos cargos. No caso da vereadora Ana Rosignoli (PDT), que é irmã do ex-vereador Amadeu Rosignoli, a nome da família acaba tendo peso apenas em alguns redutos. Para todas as outras vale a referência ao seu trabalho na Escola Estadual Padre Frederico. Daí, Ana do Padre Frederico.
A unidade da tradição familiar com o reconhecimento profissional também envolve a candidatura do médico Júlio Moraes (PTC), que é sobrinho da ex-vereador Maria Luíza Moraes. Fechando a lista dos candidatos a vereador com tradição política familiar estão o vereador Júlio Gasparette (PMDB), que é sobrinho do ex-vereador José Gasparette, o deputado Luiz Carlos dos Santos, que é irmão do deputado estadual Wilson Baptista (PSD), Magno Alexandre (PMN), que é filho do ex-vereador José Alexandre, e Fernando Paranhos (PSDB), filho do ex-vereador de mesmo nome.

O deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) é o único candidato a prefeito vindo de família de políticos. Ele é filho do ex-deputado federal Marcello Siqueira.