Quando vamos discutir o futuro?
| Eduardo Parente é o atual presidente da MRS Logística |
Já faz alguns anos que Juiz de Fora tornou-se parte importante da minha vida. Aqui fui muito bem recebido e me apaixonei pela cidade.
As eleições sempre representam um momento de reflexão sobre desejos, aspirações e prioridades. Nesse contexto, gostaria de propor aos candidatos que debatam o futuro, indo além das questões do dia a dia. Evoluir em questões como o trânsito depende de vontade política e credibilidade para obtenção de recursos. E isso Juiz de Fora tem, como demonstrado no recente início das obras de transposição da ferrovia. Agora, é disso que depende o futuro da cidade?
Não existe questão mais importante no Brasil que a educação. De acordo com pesquisa recente do Instituto Paulo Montenegro, "o percentual da população alfabetizada funcionalmente foi de 61% em 2001 para 73% em 2011, mas apenas um em cada quatro brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática". Não tem a menor chance de sustentarmos qualquer ciclo de desenvolvimento com esses indicadores.
Juiz de Fora tem a grande vantagem de ser razoavelmente avançada nas questões "meio" – saneamento, saúde, segurança e emprego. Seria um crime desperdiçar esse momento favorável, deixando de pensar nas suas crianças, no seu futuro. Temos que louvar a experiência recente de enorme sucesso que foi a criação do CR Herval da Cruz Braz, resultado de esforço hercúleo do professor Geraldo Pereira da Silva e de sua equipe. Os jovens que passaram por lá, ao recuperarem a sua defasagem escolar, recuperaram as suas chances de ser cidadãos plenos. A chave, no entanto, é evitar que a defasagem ocorra.
As escolas municipais de Juiz de Fora tiveram, em 2010, no Proalfa, apenas 36% de seus alunos no nível recomendável, contra a média de 66% das outras escolas municipais de Minas Gerais e 85% das escolas estaduais. Há diversos programas de sucesso para abordar essa questão vital. Apenas para citar um exemplo, esse índice das escolas estaduais mineiras cresceu quase 40 pontos percentuais desde 2006, resultado de um programa do Governo estadual de desenvolvimento de pessoas (computador e reforma de escola ajudam, mas são os professores que ensinam…).
A resolução dessa questão é lenta e vai muito além de um esforço dos professores ou de vontade política. A sociedade juiz-forana tem que se engajar agora para não se arrepender no futuro. Estamos atrasados.
Para quem quiser conhecer mais sobre o tema:
www.ipm.org.br
www.educacao.mg.gov.br
www.todospelaeducacao.org.br








