Vereadores de Lima Duarte aumentam os próprios salários
Em meio a protesto de cidadãos, que levaram cartazes e narizes de palhaço para o plenário, a Câmara Municipal de Lima Duarte aprovou ontem, por cinco votos a três, no apagar das luzes da campanha eleitoral, um projeto que reajusta em mais de 94% os salários dos próprios vereadores. Com o aumento, o subsídio vai dos atuais R$ 1.800 para R$ 3.500 a partir de 1º de janeiro de 2013. Já o novo presidente da Casa passará a receber R$ 5 mil, em vez dos atuais R$ 2.300 (117% a mais). Também foram aprovados, em sessão convocada na última quinta-feira, a proposta de novos salários para prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. No próximo mandato, o vencimento do chefe do Executivo de Lima Duarte subirá de R$ 8 mil para R$ 15 mil, ao passo que o do vice será de R$ 5 mil e o dos secretários, de R$ 4.200.
As matérias foram apresentadas no dia 13 de agosto pela Mesa Diretora – formada pelo presidente Tadeu Tavares de Matos (PSDB), o vice-presidente Luiz Henrique de Lima Alves (PV) e o secretário Antônio Alves de Paula (PMDB) -, mas só foi votada ontem, às vésperas da eleição de domingo. Se não fosse aprovada, a proposta não poderia mais ser votada depois do pleito, uma vez que, como oito dos nove vereadores são candidatos à reeleição e o resultado da urnas já teria determinado quem mantém ou não a cadeira – assim como quem ocupará ou não a Prefeitura -, a medida seria considerada legislação em causa própria ou para pessoas pré-determinadas.
A votação provocou revolta, expressa no grupo "Acontece em Lima Duarte e região", no Facebook. Indignados, manifestantes que protestavam do lado de fora chegaram o jogar ovos no prédio da Câmara. Contrário aos aumentos, o vereador José Nilton Santos Aguiar (Muskito Elétrico, PP), que ajudou a convocar a mobilização, ressaltou que, na ausência de um dos pares, os parlamentares favoráveis pediram escrutínio secreto. O tiro saiu pela culatra, porque ele, Luiz Henrique e o tesoureiro Davi Pimenta Delgado (PMDB) declararam os votos contra.
José Nilton acusou Luiz Henrique, contudo, de ter "combinado" o voto para não ficar mal com a população, já que é candidato a vice-prefeito na chapa de Sérgio Totôca (PTB). "Passei quatro anos lutando contra esse aumento", declarou José Nilton, o único que não é candidato à reeleição. O presidente Tadeu Tavares, por sua vez, acusou-o de provocar o tumulto e incitar a população contra a Câmara, além de ofendê-lo moralmente. "O salário estava quatro anos defasado e eu não quis prejudicar a próxima legislatura, mesmo correndo o risco de perder votos com a medida. Mesmo com o reajuste, as despesas não chegam a metade do orçamento da Câmara."
A Tribuna não conseguiu falar com Luiz Henrique.








