PMDB e PT disputam base de Custódio na Câmara

Mesmo tendo ficado em terceiro lugar e deixado a disputa ainda no primeiro turno, o prefeito Custódio Mattos (PSDB), por meio dos partidos de sua coligação, conseguiu eleger a maior bancada na Câmara Municipal. Os 12 partidos envolvidos no projeto de reeleição do tucano emplacaram 11 vereadores contra quatro da coligação do candidato Bruno Siqueira (PMDB) e três da coligação da candidata Margarida Salomão (PT). Com um vereador eleito, o PV não fez aliança no primeiro turno, embora a maioria dos seus concorrentes tenha caminhado com o peemedebista. Essa ampla parcela de parlamentares órfãos de candidatura majoritária no segundo turno virou objeto de desejo dos candidatos que permaneceram na disputa. As conversas foram iniciadas tão logo o resultado foi proclamado ainda no domingo. Levantamento feito pela Tribuna revela, no entanto, que nenhum dos aliados de Custódio já definiu apoio. Todos alegam ser necessário primeiro conversar com dirigentes de suas legendas e também com os principais interessados em seus apoios, no caso, Bruno e Margarida.
Entre os 11 vereadores eleitos da coligação de Custódio, a maioria confirmou ter recebido telefonema de Bruno. O diálogo, entretanto, não envolveu a questão de apoio. "Ele ligou para me parabenizar pela minha eleição. Não conversamos sobre o segundo turno, até porque tenho que falar antes com meu partido", explicou um parlamentar reeleito. A direção da campanha peemedebista confirmou as ligações, mas tratou a questão apenas como gesto de cordialidade do candidato. Sobre alianças para essa fase de disputa, a informação é de que Bruno deve se dedicar ao assunto quando retornar de Belo Horizonte, onde cumpre agenda na Assembleia de Minas como deputado estadual. A aposta no seu comitê, no entanto, é animadora em relação à conquista de novos aliados na futura legislatura por conta da boa relação do peemedebista com seus ex-companheiros na Câmara Municipal. Ainda assim, a ordem é de cautela para não haver atropelamentos.
O presidente local do PT, Rogério Freitas, também confirmou a existência de conversas com partidos e candidatos eleitos. Para ele, no atual estágio do processo sucessório, é natural o diálogo com um amplo leque de forças. O petista ponderou, entretanto, que as articulações em nenhum momento passam perto do PSDB. "Por uma questão de afinidade, até mesmo anterior às eleições, consideramos como natural uma aproximação do PSDB com o candidato do PMDB." O dirigente ainda alertou para o fato de o segundo turno ser uma eleição diferente daquela encerrada no último domingo. "Aprendemos muito com o passado (em 2008, Margarida foi derrotada por Custódio no segundo turno) e sabemos que agora a história é outra." Além de buscar apoio junto aos parlamentares eleitos, o PT vai manter a mobilização de sua militância e espera pelo ex-presidente Lula para um evento de campanha em Juiz de Fora. Como o PMDB, que é da base aliada em Brasília, permaneceu na disputa, as chances de a presidente Dilma Rousseff desembarcar por aqui são remotas.
Descompasso
Embora o foco de Bruno e Margarida esteja nos parlamentares eleitos pela coligação de Custódio, os resultados das urnas revelaram um descompassado entre a votação obtida pelos candidatos a vereador e aquela dada aos concorrentes à Prefeitura. Caso tivesse conquistado o mesmo número de votos dos postulantes à Câmara Municipal dos partidos da sua base aliada, Custódio, por exemplo, passaria ao segundo turno de forma tranquila. Juntos, os candidatos das 12 legendas que caminharam com ele somaram 142.358 votos, contra seus 60.378 no pleito para prefeito. Por outro lado, as quatro siglas aliadas de Bruno somaram 56.047 votos na disputa proporcional contra 115.267 votos conquistados pelo candidato na disputa majoritária. Margarida, que foi para o segundo turno com 106.487 votos, viu os seis partidos de sua coligação obter 59.614 votos.







