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Candidatos lançam ‘artilharia’ de promessas


Por Táscia Souza

30/10/2012 às 17h04

Se houve uma lição ensinada pelas eleições municipais de 2008, quando a ausência de formatação de um plano de governo se transformou em artilharia contra a candidata Margarida Salomão (PT), foi sobre a relevância que a compilação de promessas escritas, item por item, pode ter no resultado nas urnas. Por isso mesmo, em 2012, quaisquer que sejam os motivos utilizados pelos eleitores para justificar a escolha por um concorrente em detrimento dos outros, eles não passarão pela carência de um calhamaço de propostas, enumeradas e encadernadas, para, no linguajar da própria classe política, o cidadão guardar e cobrar depois.

Pelo menos é nisso que parecem apostar os três candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto na cidade. Tanto que, depois de uma série de reuniões temáticas realizadas pelas três equipes de campanha, desde o início da propaganda eleitoral, Margarida, Bruno Siqueira (PMDB) e Custódio Mattos (PSDB) – o primeiro a divulgar seu conjunto de compromissos – entraram todos na reta final da corrida eleitoral com seus programas de governo devidamente elaborados e prontos para serem entregues à população.

 Apesar de todo o alarde a respeito dos planos de gestão e da amplitude de temas que eles abarcam, eles não diferem tanto, guardadas as devidas proporções de tempo e espaço, do que já vinha sendo apresentado nas campanhas, principalmente no rádio e na TV, até então. Nem em formato nem em conteúdo. No caso de Custódio, o livreto "No rumo certo" traz, entre novas promessas, a noção de continuidade já trabalhada desde o princípio pela equipe de marketing, com garantias de prosseguimento de obras e ações iniciadas durante o atual mandato.

Com base na última pesquisa Ibope, encomendada pela Tribuna e TV Integração e divulgada na semana passada, foram analisadas as quatro áreas apontadas como mais problemáticas pelos cidadãos entrevistados: saúde, segurança pública, educação e transporte público (que acabou acoplado ao trânsito, uma vez que ambos são tratados juntos no quesito mobilidade urbana por todos os três concorrentes – ver quadro). Em todos esses setores , no plano de governo tucano, aparecem termos como "manter", "concluir", "ampliar" e "dar continuidade", em referências a projetos que vão desde a ampliação da rede de iluminação pública até a construção do Hospital de Urgência e Emergência e a implementação das obras viárias.

Por outro lado – seja por estar a par da situação da Prefeitura ou porque a estratégia já deu certo há quatro anos – Custódio não teve pudores em fazer promessas diretas, como números de Uaps, escolas e intervenções viárias a serem construídas, mesmo sem ter seguido detalhes como esses à risca na execução de seu último plano de governo. Em contrapartida, Bruno e Margarida (esta sob o mote "Novas ideias para um novo tempo") foram mais melindrosos e tomaram cuidado tanto em garantir a conclusão dos carros-chefe da eleição de Custódio no pleito passado – vide hospital, pontes, viadutos e mergulhões – quanto em fazer propostas de âmbito mais geral, que passam pela necessidade de análises e estudos.

No entanto, ambos também prometeram soluções que nem passaram perto de serem discutidas nesta gestão. Nesse sentido, a determinação de marcar oposição ao Governo tucano foi tão afinada que tanto Bruno quanto Margarida defenderam algumas medidas idênticas, como o bilhete único para o transporte coletivo – a fim de que o usuário possa utilizar mais de um ônibus pagando uma só passagem, durante um intervalo de tempo – e a transposição do transporte ferroviário de carga para utilização da linha férrea para transporte de passageiros.

 

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