AÇÃO E REAÇÃO
Entre ações e reações, o país chega a mais um fim de semana sem saber até quando vai o fôlego das ruas com suas manifestações. É fato que os movimentos arrefeceram, mas é precipitado apontar pelo fim do barulho das ruas, após o reconhecimento de alguns de seus pleitos. As demandas são muitas e não se esgotam de uma hora para outra, sobretudo aquelas que estão represadas há anos. Além disso, há um novo componente em curso: as causas locais estão substituindo as discussões nacionais. Em Juiz de Fora, os manifestantes que ocuparam as instalações da Câmara focaram temas de interesse municipal, como tarifas, Lei de Ocupação de Solo, salário de vereadores, entre outros.
Ainda está longe uma explicação objetiva sobre o que ocorreu e o que virá pela frente, mas ficou claro que os partidos perderam temporariamente a vez, dando margem ao contato direto entre as ruas e as instâncias de poder. Só agora, ao que tudo indica, estão percebendo que ficaram à margem e precisam agir para não perder o bonde da história. O mesmo vale para representações – sindicatos e entidades estudantis, como a UNE -, que só agora formalizam sua participação no grito nacional.
A questão, agora, é saber até quando esse tipo de democracia direta vai prevalecer, pois há limites que precisam ser observados. Se os atos de vandalismo continuarem, certamente a opinião pública irá dar razão ao outro lado do balcão. Depredar espaços públicos e privados não é a melhor maneira de ganhar respaldo dos demais, mesmo que haja o discurso dos radicais no qual os fins justificam os meios como única forma de intimidação dos poderosos.
Terminada a Copa das Confederações, os estádios, provavelmente, deixarão de ser a referência para os atos, mas a melhor aposta é o diálogo, que agora tem audiência dos dois lados. O Governo já conversa, inclusive com os políticos, comprovando que, num cenário como este, não dá para jogar com um só time.











