NOVA ESTRATÉGIA


Por Tribuna

08/03/2012 às 06h00

Chama a atenção a observação do pesquisador Luiz Felipe Zilli, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, ao explicar que a mudança de estratégia policial é normal, desde que ligada a um prévio diagnóstico. Segundo ele, o fenômeno criminal é dinâmico, por isso a polícia precisa ter flexibilidade para mudar sua forma de ação. Referia-se à ocupação de pontos estratégicos das metrópoles pelos Postos de Observação e Vigilância, adotados a partir de 2005 pela Polícia Militar em Juiz de Fora, mas hoje com funcionamento à meia-bomba, como constatou a Tribuna na edição de ontem. Os três postos instalados na cidade – Parque Halfeld, Manoel Honório e Alto dos Passos – estão praticamente sem atividade, passando a impressão de estar desativados.

Quando de sua implantação, os POVs foram considerados uma medida fundamental para o combate à violência urbana, com previsão de outras unidades espalhadas pela cidade. No entanto, o projeto não progrediu sem uma explicação clara da PM. De fato, pode ser que o modus operandi, em função das novas circunstâncias, tenha mudado, mas a população precisa, pelo menos, ser avisada. Quando isso não ocorre, cresce a sensação de insegurança, trazendo acoplada a crítica coletiva. Segundo a PM, o trabalho móvel é mais eficaz, pois facilita a cobertura de uma região bem mais ampla.

De fato, policial parado num posto não é suficiente para atender emergência, sendo mais um observador pronto para chamar a guarnição do que um interventor em determinadas ocorrências, mas o que chama a atenção é o vai e vem de algumas políticas de segurança. Não só em Juiz de Fora, mas em vários municípios, os postos foram implantados como solução. Pode ter dado certo em determinado momento, mas a desativação ou o funcionamento precário é um chamamento aos malfeitores. Juiz de Fora se saiu bem na avaliação sobre segurança pública, mas não pode sentar nos dados, devendo, como conhecem as próprias autoridades, manter a vigilância em todas as áreas, de preferência com os POVs e com as viaturas nas ruas.