ESPAÇO DE MINAS


Por Tribuna

10/02/2013 às 07h00

Segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, Minas está mal no ministério de Dilma Rousseff. Seu único representante, Fernando Pimentel, não está no posto por ser do estado. Faz parte da cota pessoal da presidente. Daí, há sentido na reclamação, especialmente do PMDB, da ausência de uma liderança no primeiro escalão. O Governo, dizem os especuladores, pensa no assunto, mas por uma razão bem objetiva: quer calar o discurso do senador Aécio Neves, quando diz que Minas não faz parte da administração federal.

A presidente Dilma é mineira, o que seria suficiente, mas é forçar a barra estabelecer uma identificação com o estado em que nasceu com o restante de sua militância política, toda ela feita no Rio Grande do Sul. Ela só enfatizou seus laços durante o período de campanha. Os políticos, ante essa ambiguidade, preferem mesmo um ministério, e aí é que está a questão. Às vésperas de um ano eleitoral, o Planalto tem que fazer arranjos que garantam participação efetiva da base aliada. Por isso, se há conversas, elas giram em torno do PR de Alfredo Nascimento e Anthony Garotinho, que pode voltar ao Governo na figura do senador Blairo Maggi. O PMDB já tem o vice e os presidentes da Câmara e do Senado.

Por outro lado, a oposição tenta se articular, uma vez que o discurso dos últimos dois anos foi pífio, incapaz de mobilizar a opinião pública. Os tucanos, a maior expressão do outro lado do balcão, ainda não chegaram a um consenso sobre a melhor forma de agir. O presidente do diretório, Sérgio Guerra, depois de muito tempo em silêncio, cobrou uma ação mais efetiva do senador Aécio Neves, virtual candidato à Presidência da República, enquanto este prometeu vir quente depois do carnaval.

Como o calendário do país começa, de fato, depois das Festas de Momo, resta conferir que tipo de jogo será jogado pelos próximos meses, até outubro do ano que vem.