JOVENS REAGEM
Reunido na última sexta-feira, em Belo Horizonte, o Parlamento Jovem, que tem representação suprapartidária em todo o estado, apresentou uma série de sugestões à Comissão de Participação Popular da Assembleia. Em forma de projeto ou requerimentos, elas devem ser encaminhadas ao Governo do estado. Duas chamaram a atenção: uma trata da ampliação de investimentos para o tratamento de dependentes de álcool e de drogas ilícitas, e outra sugere a criação de uma campanha – ao estilo do Zé Gotinha – voltada, sobretudo, para o público adolescente e infantil. Ambas são ideias importantes, pois partiram de um segmento que está no meio do furacão das drogas. Jovens e adolescentes são público-alvo preferencial dos traficantes, e o gesto soa como uma reação a essa demanda que tem levado para o vício uma geração que deveria estar comprometida com o futuro.
O enfrentamento às drogas, como ficou claro no próprio projeto do Parlamento Jovem, não se esgota na instância repressiva, uma vez que, enquanto houver quem compre, o traficante estará pronto para vender. A prisão, sobretudo dos entregadores, não muda o cenário, pois são peças de fácil reposição. No dia em que a fonte de consumo secar, aí sim, muda tudo. E é nesse viés que os jovens sugerem ações ostensivas do estado, com ênfase em campanhas de esclarecimento.
Uma coisa não anula a outra, isto é, as polícias devem continuar agindo, mas é pela educação que o jogo pode ser virado. À medida que os jovens vão sendo esclarecidos sobre os danos das drogas, fecham suas portas para o apelo fácil e lúdico do consumo. O crack, especialmente, tornou-se um flagelo que já trafega por 98% dos municípios brasileiros. Trata-se de um dado preocupante que exige respostas imediatas da sociedade, pois é ela que está sendo vítima desse avanço. Famílias têm sido destruídas, e vidas, perdidas. Jovens na faixa de 16 a 24 anos têm sido vítimas contumazes de homicídios, boa parte deles articulada no submundo das drogas.










