SEMPRE DEPOIS


Por Tribuna

29/01/2013 às 07h00

A semana, certamente, será consumida por discussões sobre a tragédia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde 233 pessoas morreram num incêndio numa boate. Serão muitas as explicações, a começar pelo uso de um sinalizador em pleno palco, com um teto passível de pegar fogo rapidamente, à falta de licença para o funcionamento da casa. A superlotação – havia bem mais do que o previsto por normas de segurança – também estará na agenda. Enfim, o país, de novo, se surpreende com os fatos somente depois de terem acontecido. A partir de agora, serão tomadas providências de toda a sorte para evitar novas ocorrências. Mas por que não foram praticadas antes?

Essa é que deve ser a principal indagação, uma vez que há uma cultura de deixar para depois o que deve ser feito antes. Se a casa tinha espaço para mil pessoas, por que havia o dobro? Ter licença é sinônimo de segurança? Certamente é um passo a mais, uma vez que os técnicos, no caso onde ocorreu a tragédia, teriam condenado a absurda falta de outros pontos de escape. A maioria dos jovens morreu intoxicada por conta de não ter para onde correr. Num teto de fácil combustão, a fumaça tóxica foi a principal causadora das mortes.

Como relataram os especialistas, o acúmulo de pequenas falhas tornou-se um grande acidente. O uso de fogo em palco, por exemplo, não é tão incomum como se possa imaginar. O jogo de cena dos espetáculos, que deixa, em alguns casos, a música em segundo plano transformou-se em um apelo a mais, mas trata-se de uma imprudência sem limites.

Pela frente, é necessário discutir a ocupação de espaços e o controle de acesso. O país se prepara para receber grandes eventos, como a jornada mundial para a juventude, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Tem, pois, que estar preparado para lidar com grandes públicos. Embora não sejam comparados às casas de shows, os estádios devem ter vias de acesso capazes de facilitar o fácil escoamento dos usuários, sem o risco de ser pisoteados por multidões sem controle. No mais, o lamento pela mortes. A única homenagem possível é agir para que tais tragédias não se repitam mais.