MODERNIZAR É A SAÍDA
Como mostrou a Tribuna na edição de domingo e reforça na manchete de hoje, chegamos ao colapso do serviço de táxi em Juiz de Fora. Não há como negar a má distribuição dos veículos pela cidade, quando se flagram dezenas de carros parados na rodoviária em contraste com as filas de passageiros nos pontos do Centro, quase sempre vazios.
São bem-vindos os recentes esforços da Prefeitura, que ontem anunciou mais 36 novos táxis para desafogar o setor. Agora, faltam apenas 18 das 112 novas permissões concedidas após pesquisa de demanda realizada a pedido do Executivo no ano passado. A implantação de uma central telefônica, prometida já para fevereiro, pelo Procon, para denúncias envolvendo táxis, conforme divulgado hoje pela Tribuna, também pode atenuar o problema, sendo uma importante auxiliar para aferir a satisfação do usuário. Porém, se a conduta dos taxistas não mudar, o aumento do número de carros não será suficiente.
A despeito de todos os esforços do Executivo, uma intervenção séria se faz necessária no setor, por meio de rigorosa revisão na legislação, que se mostra obsoleta depois de quase 30 anos. É nesse ponto que a Câmara Municipal deve dar sua contribuição. É preciso colocar em discussão regras mais claras para regular uma concessão que, apesar de pública, está sendo tratada como serviço privado, uma vez que atende, em primeiro lugar, a interesses particulares, e não do usuário.
A falta de qualificação é um ponto nevrálgico do sistema, e a legislação pode corrigir isso. Não basta uniformizar e identificar os motoristas; é necessário que eles recebam treinamento específico. Além disso, é fundamental oferecer-lhes melhores condições de trabalho, com cumprimento de jornadas, pausas para descanso e remuneração adequada.
O que não pode acontecer é a cidade ver o poder aquisitivo de sua população crescer, os hábitos de consumo se modificarem, e um serviço tão essencial não se modernizar para atender as novas demandas.










