SER INVISÍVEL
A presidente Dilma Rousseff, horas depois de dar uma entrevista e ver o mercado futuro derrubar as taxas de juros, chamou os jornalistas ao seu hotel para denunciar que suas declarações foram manipuladas. Segundo ela, matar o paciente em vez de procurar a cura é uma incoerência, pois tal fórmula, já experimentada em outros tempos, sequer deu certo. Mas o mal já estava feito por conta da sensibilidade do mercado, que reage diante das primeiras impressões, e não ante o que vem depois. É possível que esta semana, com as questões devidamente em seus lugares, tudo volte ao que era antes, mas ficou o exemplo.
Economista por formação, a presidente da República fugiu ao modelo de seus antecessores Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula, que deixavam a economia por conta dos ministros e não se metiam com as decisões do Banco Central. Ela, não. Anuncia decisões econômicas, como as mais recentes desonerações, e ainda entra na briga com o mercado – esse ser invisível que controla os números pelo mundo afora -, numa disputa perigosa, pois não se sabe com quem está lutando. A impressão, por suas ações e reações, é de intervenção na economia, algo que mexe com os nervos dos investidores.
Manter o crescimento e a qualidade de vida do brasileiro é, de fato, fundamental, mas é necessário estar atento às consequências, pois o país, há pelo menos três anos, já não apresenta o ciclo virtuoso de crescimento, que o manteve ileso nas crises internacionais. O teflon que inibe a propagação da crise europeia para o outro lado do Atlântico se faz com medidas austeras de controle da inflação. O povo já não conhece mais esse elemento, que nos anos 1980, sobretudo no Governo Sarney, era a marca da plena incerteza.











