RECADO DAS RUAS
Os partidos políticos são essenciais para a democracia, pois são a representação visível da comunidade, daí, a preocupação com o apartidarismo manifestado nas ruas, quando milhares de pessoas saíram em protestos recusando bandeiras e lideranças em seu meio. No entanto, é necessário considerar que é preciso oxigenar a cena política brasileira, não com uma nova Constituinte, mas com discussões consistentes que levem a mudanças importantes.
Ademais, sem rejeitar a força dos partidos, é preciso reconhecer que nesses novos tempos de comunicação e contatos em tempo real, as legendas já não são mais a única representação popular. As adesões mostram isso de forma clara, exigindo, pois, um repensar. Na audiência com a presidente Dilma Rousseff, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, condenou os conchavos e defendeu o recall de políticos – avaliação de seu desempenho feita de modo sistemático – como forma de reduzir os impasses. Também considerou excessivo o número de legendas e se manifestou contra os suplentes de senador.
Em debate na Rádio Solar AM, o cientista político Rubem Barbosa também advertiu para esse novo espaço de representação. E ambos têm razão, pois a própria derrota da PEC 37, já na noite de terça-feira, mostra que há uma nova força em questão, que levou os partidos a rever seus conceitos e manter os poderes de investigação do Ministério Público. Essas entidades, que podem ser redes sociais ou órgãos representativos, ganham espaço para dialogar com os partidos e cobrar deles posturas de acordo com o interesse coletivo.
Talvez tenha sido esse o principal problema das legendas e dos políticos. Superado o período eleitoral, apartam-se das ruas tomando atitudes próprias, sem consultar aqueles que os elegeram. As manifestações, ao que tudo indica, não foram, pois, necessariamente contrárias aos partidos, mas ao modo como eles operam, em que boa parte, senão a maioria, atua voltada para interesses próprios ou de pequenos grupos.











