OLHAR ESTRANGEIRO


Por Benhur

11/02/2012 às 00h00

Como já era de se esperar, a mídia estrangeira passou a sexta-feira se dedicando à greve dos policiais da Bahia e do Rio de Janeiro, dois centros bastante conhecidos no exterior, sobretudo agora, quando se aproxima do carnaval. Os comentários estão dentro do previsível: tratam da segurança nessas duas capitais e, sobretudo, da capacidade de o país promover duas competições importantes, como a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016. São preocupações justificáveis, mas com um tom além da conta, pois especialmente a Europa também tem tido sérios problemas de segurança. A questão econômica tem levado milhares de pessoas às ruas, e nem sempre tudo termina na placidez europeia. Na Bélgica, os bombeiros enfrentaram os policiais militares, que impediam que fizessem uma mobilização. Na pauta, melhores salários.

É fato que não dá para transigir com os eventos da semana que terminou, sobretudo quando há o viés da ilegalidade e do risco para a população. Reivindicar é um direito constitucional, mas quando o povo é colocado na malha da insegurança, e a baderna torna-se elemento de intimidação, como ocorreu nos dois estados, é necessário exigir ordem e punir os que saíram da trilha da lei. Mas não dá para tapar o sol com a peneira quando se avaliam as condições de risco desses profissionais. Os agentes públicos responsáveis pela segurança devem ter uma remuneração justa, não só por viverem sob risco, mas também por conta de um trabalho de tensão permanente.

Salvo exceções, na maioria dos estados, os salários são baixos e os equipamentos defasados, criando um cenário em que todos perdem, pois dá margem para trabalhos paralelos – o chamado bico – e, sobretudo, para a corrupção. A despeito dos exageros do olhar exterior, o país precisa se preparar não só para esses dois eventos, mas para a sua rotina, já que a violência continua como centro das preocupações da população. O avanço das drogas e o envolvimento de jovens e adolescentes em atos de violência não são resolvidos apenas numa instância, e é necessário que se façam ações permanentes para evitar essa curva ascendente de ocorrências.