NOVOS TEMPOS
A cada fim de ano, algumas ações são recorrentes no cotidiano humano. Uma delas é a tradicional avaliação do período findo, seguida da definição de metas para o ano que vai começar. Neste ano, não tem sido diferente. O governo espera um pibão em 2013, capaz de reaquecer o mercado e afastar o ciclo sombrio na economia, enquanto os políticos esperam o fim do impasse com o Judiciário, por conta do mensalão. Em artigo no Consultor Jurídico, site de interesse da classe que opera no direito, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos adverte para o excesso de intervenções do Judiciário, sobretudo em questões em que o ônus da prova tem sido invertido. Não citou, mas falava do mensalão, no qual atuou como um dos defensores.
Outra questão que ganhou ênfase no fim do ano foi a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique ao matutino O Globo, na edição de ontem. Do alto de seus 81 anos, mas com experiência sociológica acumulada e em dia, ele adverte para a criminalização das drogas. Considera o atual sistema falido e garante que repressão não resolve. Tratar o uso de drogas como caso de polícia é inútil e desastroso, enfatizou.
A fala do ex-presidente pode ser ligada à série que a Tribuna inaugurou no domingo avaliando a geração +. Como lidar com uma geração cada vez mais dependente da tecnologia e distante dos velhos costumes, sem que haja danos à sua formação? Como o tráfico e o consumo de drogas ilícitas são uma realidade, o discurso dos jovens e a advertência do ex-presidente se encontram em algum ponto, pois a sociedade não pode ignorar esses dois links. Ficar em silêncio ou entender que o problema está ao lado é um grave risco.
São demandas importantes para 2013 que devem estar na agenda coletiva, não sendo, pois, questões isoladas de interesse de Governo ou de segmentos estanques. É preciso misturar agendas e acompanhar o resultado, a fim de não haver surpresas no amanhã.











