PARA A PLATEIA


Por Tribuna

15/08/2012 às 07h00

Apontar o ex-presidente Lula como mandante do mensalão, como fez o advogado de defesa de Roberto Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, foi mais um gesto para a plateia do que uma defesa efetiva de seu representado. Ele sabia muito bem o que estava falando, querendo causar impacto, uma vez que, tecnicamente, o ex-dirigente não está nos autos apresentados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Lula não é réu e nem testemunha no julgamento do mensalão. O que o advogado fez foi seguir o estilo de Jefferson, de bater e assoprar, como também procedeu na fase de instrução do processo. Chegou a insinuar a presença do ex-presidente na demanda para depois dizer que ele não sabia de nada.

Como os juízes se baseiam nos autos para tomar suas decisões, o discurso da defesa do PTB tornou-se inócuo, servindo, principalmente, para ocupar as manchetes dos jornais sem afetar a postura dos ministros do Supremo Tribunal Federal, a quem cabe exarar a sentença. A tática dos advogados, até mesmo por conta de provas testemunhais, tem sido desclassificar o libelo do procurador, como é legítimo nos tribunais. Terminada a etapa da defesa, agora começa a outra fase, com a leitura do relatório do ministro Joaquim Barbosa, que possui cerca de mil páginas. Se houver demora, o ministro Cézar Peluzzo, que completa 70 anos no dia 3 de setembro, estará fora do plenário por conta de uma aposentadoria compulsória.

Independentemente dos próximos atos, fora do STF a questão é política. Partidos de oposição tentam jogar o PT dentro do processo para fazer uso nos palanques, enquanto os petistas, pelo caminho inverso, reafirmam que o mensalão é mera peça de ficção. Melhor faz a presidente Dilma ao passar longe do julgamento, preferindo outras demandas e temas, a começar pelo impasse com os servidores federais ora em greve pelo país afora.