SOB SUSPEITA


Por Tribuna

04/10/2011 às 07h00

Os partidos políticos e o Congresso Nacional continuam sob a desconfiança da opinião pública, de acordo com o Índice de Confiança Social elaborado pelo Ibope Inteligência, divulgado ontem. Numa escala de zero a cem, os partidos políticos obtiveram a pior nota, 28, enquanto que os Bombeiros tiveram o melhor desempenho, com 86, pela terceira vez consecutiva. A polícia, as escolas públicas ou as Forças Armadas são mais confiáveis que as instituições políticas. A pesquisa é feita anualmente pelo instituto desde 2009 e tem o objetivo de acompanhar a relação de confiança da população com as organizações e pessoas de seu convívio social.

Os números não surpreendem, pois as denúncias de casos de corrupção que dominam o noticiário afetam, na maioria das vezes, representantes políticos, sendo eles próprios os responsáveis por contaminarem as instituições das quais fazem parte. Além disso, o modo como se opera dentro desses grupos amplia o distanciamento da população. Há cerca de um mês, a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados absolveu a deputada Jaqueline Roriz, acusada de receber propina. O argumento para não puni-la foi o prazo. A corrupção, admitida no processo, ocorreu antes de ela assumir o mandato.

Atitudes como essa são recorrentes na instância política, na qual o corporativismo é uma constante. Só que o eleitor já não tem mais a postura passiva de outros tempos. Com o advento das redes sociais, responsáveis pela multiplicação das informações, o inconformismo se acentua e pode se refletir nas urnas. Embora as eleições do ano que vem sejam apenas municipais, as denúncias não se esgotam em Brasília. Nos municípios também são muitos os casos de ilícitos cometidos sob o manto do mandato.

A pesquisa não é para ser comemorada. Quando órgãos representativos são colocados em xeque, como é o caso dos partidos e do Congresso, quem perde é o próprio povo, pois foi o autor da procuração que elegeu parlamentares e deu representatividade às legendas. Os dados devem, no entanto, servir para o próprio debate político que se desenvolve em torno da reforma. Muitas das atuais regras já se mostram caducas, exigindo-se, em nome dessa moralidade perdida, o freio para tantas incorreções.