A REGRA É CLARA?


Por Tribuna

10/09/2013 às 07h00

No último domingo, boa parte dos juiz-foranos acordou estupefata por conta de um episódio na véspera. Jogando sua classificação pelas oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, o Tupi foi desclassificado por um episódio, embora não inédito, totalmente fora das regras do futebol. Aos 44 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava empatado em 2 a 2, só a vitória interessava ao time da cidade. E ela viria se não fosse a intervenção do massagista do Aparecidense, time de Goiás. Ele interceptou a bola que seguia para as redes e evitou a derrota de seu time. Com isso, o Tupi ficou fora da próxima etapa da competição. Pelo menos, em tese.

De acordo com os analistas, a regra é clara. Em sendo o massagista um corpo estranho ao jogo em si, sua intervenção foi como se, por exemplo, a bola tivesse batido na trave. O gol, que não se consumou, não pôde ser validado. Afinal, não aconteceu. Mas atuar com 12 pode? Certamente, não, mas caberá ao Tribunal de Justiça Desportiva tomar uma decisão, até mesmo anulando o jogo ou tirando os pontos do Aparecidense, mas o placar não será mudado. Na Europa, houve casos de intervenções extemporâneas que foram sanados pelo fair-play. O time beneficiado, por conta própria, fez um gol contra para reparar o erro. Mas seria ingenuidade esperar gesto semelhante no Brasil, sobretudo pelo fato de o massagista ter agido de caso pensado, e não por instinto, como tentou levar a crer.

Para um país que vai sediar uma Copa do Mundo, episódio como este deixa exposto um lado perverso do esporte e provoca insegurança em quem aposta na legalidade de uma competição de viés nacional. Na várzea, costumava-se valer tudo – hoje, nem tanto; num jogo pelo Campeonato Brasileiro, não. A penalização da vítima é um contrassenso sem dimensão. Depois de tantos esforços, físicos e financeiros, o time ser eliminado por algo fora das regras é algo a ser repudiado. Como tal dano será reparado caberá aos tribunais definir. Provas não faltam. A Tribuna, na edição de domingo, mostrou claramente a ação do massagista. As imagens da TV dizem o mesmo. Com a palavra, a CBF e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva.