VALOR DA VIDA
Juiz de Fora registrou ontem, em menos de cinco meses, o 30º homicídio em 2012. Para os padrões da violência brasileira, sobretudo se a comparação ocorrer com as metrópoles, podem ser baixos, pois, algumas delas, registram esse número em apenas um fim de semana. Mas não é essa a conta a ser feita. Em questão está o avanço da criminalidade contra a vida em Minas Gerais e a sua motivação. Os casos são distintos, e a maioria deles, certamente, tem gênese no tráfico de drogas, mas há casos de banalização da violência, apontando uma queda abissal no valor da vida. Na última segunda-feira, um policial civil aposentado foi morto a facadas pelo simples fato de fechar seu bar mais cedo e se recusar a reabrir a casa para vender bebida alcoólica a dois homens. Ambos estão presos, mas isso não conforta a família e nem a própria sociedade, que se encontra diante do medo sistemático que toma as ruas.
O Estado insiste em dizer que os números locais são tímidos ou insuficientes para implantação do programa especial Fica vivo, apontando, também, que outros projetos estão em curso, como o Ambiente da paz, inaugurado pelo próprio governador Antonio Anastasia no último dia 3 de maio. Porém, é necessário insistir, pois há uma perversa lógica de se esperar o pior para agir. O Governo tem que dizer com todas as letras que não tem recursos, pois, dessa forma, daria margem a uma discussão mais profunda sobre o tema. A justificativa do índice é perversa. Se admitisse tal possibilidade, estaria mais próximo dos fatos, já que o Governo federal fechou o cofre para a segurança pública.
Na virada do ano, em nome da austeridade econômica, a presidente Dilma mandou cortar cerca de R$ 1 bilhão do Ministério da Justiça. O contingenciamento atingiu outras pastas, mas a segurança, como a saúde e a educação, é estratégica, já que tem envolvimento direto no dia a dia da comunidade. No último domingo, a Tribuna apontou o sucateamento da Polícia Civil, que tem a prerrogativa de agir como Polícia Judiciária. Sem meios, faz o que pode, mas tem suas ações comprometidas. A conta, porém, cai na conta do cidadão, que se vê sujeito à banalização do crime, como ocorreu com o dono de um bar que apenas disse não.










