ESTRADAS DE MINAS


Por Tribuna

02/09/2012 às 07h00

Quando se fala em privatização da BR-040, no trecho até Brasília, abre-se a possibilidade para uma série de indagações. Uma delas é quando será feita, porque toda vez que se especula sobre a transferência para a iniciativa privada, ela entra na lista. No entanto, desde o período tucano, momento em que o processo foi acelerado, até hoje, quando a presidente Dilma quer repartir o ônus com outros setores, pouco se fez. Entre Juiz de Fora e Belo Horizonte ocorreram várias intervenções, é fato, mas longe do patamar adequado para garantir a segurança numa rodovia estratégica tanto para o setor produtivo quanto para o trânsito de passageiros.

Na semana que terminou, a Tribuna voltou a percorrer o trecho até a capital mineira e deparou com a mesma situação de outras viagens: acostamentos comprometidos, sinalização apagada ou coberta pelo mato e, sobretudo, gargalos nos viadutos, o que representa um risco a mais para os usuários. Na vizinha Santos Dumont, quatro viadutos, dois deles em curva, são considerados críticos pelo histórico de acidentes. A solução apontada pelas autoridades é a construção de binários, deixando essas áreas em mão única, mas não há datas e nem recursos para execução do projeto. Entre Conselheiro Lafaiete e o trevo para Ouro Preto, área de maior índice de acidentes, a convivência com os caminhões das mineradoras é um transtorno permanente. A privatização traria novas perspectivas, já que o concessionário assumiria o compromisso de executar obras, devendo, ainda, tirar os caminhões.

É fundamental, porém, que haja cláusulas de execução do contrato, a fim de evitar mudanças como a que ocorreu na privatização da Rio/Juiz de Fora. Quando assumiu o trecho, a Concer tinha como dever de casa a duplicação na Serra de Petrópolis. Primeiro, mudou a prioridade e fez serviço semelhante na região de Juiz de Fora. Agora, quando já há projeto pronto, negocia uma prorrogação de sua concessão para execução do serviço mais importante. Enquanto isso, perde-se mais tempo na serra do que no resto da viagem.

Por mais de uma vez, o Governo estadual tentou negociar com Brasília uma troca de função, ficando com a responsabilidade de gerenciar as rodovias federais – entre elas a BR-040 -, garantindo ações permanentes para sua manutenção. A ideia parou na instância política e não abriu, sequer, perspectiva de retomada. Agora, com a possível passagem para o setor privado, reacende-se a importância dos investimentos. Com a maior malha viária do país, Minas tem que ter estradas adequadas à sua importância.