ÚNICO CAMINHO
Quando o senador Demóstenes Torres foi flagrado pelas escutas da Polícia Federal, tratando de assuntos pouco republicanos com o contraventor Carlinhos Cachoeira, muitos segmentos comemoraram, sob o surrado argumento de que não havia pessoas isentas na vida pública. Ao contrário, seriam todos iguais, o que permitia, então, o estabelecimento de uma moral abaixo dos padrões, colocando todos no mesmo balaio. Ontem, por maioria absoluta, o senador foi cassado e só terá direito a disputar uma eleição em 2027. Seu impedimento é de oito anos, mas contados a partir do fim de seu mandato, que se esgotaria apenas em 2018.
Não se esperava outra posição do Senado, embora 19 parlamentares tivessem entendido ser forte demais a cassação e outros cinco optado pela abstenção. Moralista e um dos ícones da boa conduta na vida pública, o senador traiu não só o seu mandato, ferindo o decoro, mas também a todos aqueles que viam nele uma luz no fim do túnel contra todas as mazelas que permeiam a vida pública. Sua cassação não é só emblemática, mas também uma prestação de contas àqueles que ainda apostam em mandatos pautados em princípios éticos e democráticos.
A Lei da Ficha Limpa é uma manifestação clara da sociedade contra os chamados maus políticos. Demóstenes entrou nesse submundo ao ir contra as suas próprias pregações. Sua punição se deveu ao decoro parlamentar, mas a decisão do próprio Senado serve de alerta para outros infratores, muitos deles prontos a disputar um cargo agora em outubro, e outros tantos se articulando para ir às urnas em 2014.










