PRIMEIRO TEMPO


Por Tribuna

29/02/2012 às 06h00

É fato que o Partido dos Trabalhadores e o PSDB vão se pegar em boa parte dos municípios brasileiros, inclusive em Juiz de Fora, mas a disputa paulista tem uma conotação que vai além da fronteira municipal. Em jogo, não está apenas a sucessão do pendular prefeito Gilberto Kassab, mas também a aposta para 2014. Maior colégio eleitoral do país e centro econômico de expressão internacional, o município é estratégico para o futuro das duas legendas no pleito nacional. Por isso, quando o ex-governador José Serra resolve voltar ao páreo, há uma clara mudança na disputa, pois obrigará o PT e o seu candidato, Fernando Haddad, a mudarem sua atitude. Se antes era uma questão de tempo para ficar à frente das pesquisas, hoje já não há essa certeza.

Os tucanos também terão que se realinhar, pois o engajamento ao projeto de Serra não é mais automático. Além de ter esticado a corda até o limite, ele terá que enfrentar o fantasma da desconfiança. Se vencer, vai cumprir o mandato integral? Afinal, não foi isso que fez em experiência anterior, deixando o próprio Kassab no cargo para disputar a sucessão com Dilma Rousseff. A perspectiva de repetir a dose será seu calcanhar de Aquiles, algo que será explorado ao extremo pelos adversários.

Uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique, ontem, para O Estado de São Paulo, pode ser lida dubiamente. Diz ele que a candidatura de Serra a prefeito não atrapalha seu projeto nacional de ser o eventual candidato a enfrentar Dilma em 2014, mas também aponta para uma fixação de território: Serra tem que ser o prefeito, e Aécio Neves, o candidato a presidente. O Partido dos Trabalhadores, sob esse aspecto, está mais à frente, pois, desde a indicação a fórceps do ex-ministro da Educação para prefeito, feita pelo ex-presidente Lula, afastando a pretensão da senadora Marta Suplicy, ficou claro que o jogo jogado não se esgotava na instância local. O ex-presidente, como poucos, sabe que, tendo São Paulo, o caminho está bem andado, mesmo tendo vencido pelo menos uma eleição com um prefeito adverso.

É nesse cenário que a campanha começa a ganhar corpo, com entendimentos que vão se capilarizar pelo país afora. Daí, achar que as cúpulas ficarão infensas ao debate de Juiz de Fora é pura especulação. Afastadas todas as comparações com a metropolitana São Paulo, Juiz de Fora é também estratégica para os dois partidos, daí a expectativa do que será feito pelos dirigentes nesta fase intermediária de articulações.