PELA PARCERIA


Por Tribuna

23/10/2013 às 08h00

Os tucanos dizem ser privatização; o Governo, especialmente a presidente Dilma, diz tratar-se de um novo modelo de negócio, no qual o Estado mantém forte participação. Diferenças à parte, o bem-sucedido leilão do Campo de Libra, seis anos após o anúncio de descoberta do pré-sal no Brasil, apontou para a necessidade de parcerias público-privadas para levar adiante grandes investimentos. E não é nenhum recuo. Num cenário de dificuldades econômicas, a atuação conjunta tornou-se a alternativa mais viável.

O que ora se viu no setor de petróleo deve ser incentivado também na área de transportes. As rodovias brasileiras são um problema constante para os usuários, sobretudo as que estão por conta dos governos, sejam eles estaduais ou federal, enquanto os trechos privatizados têm uma situação bem melhor. Basta comparar a BR-040, que corta Juiz de Fora. Se para o lado do Rio de Janeiro vai bem, com mais segurança, para o sentido inverso, em direção a Belo Horizonte, trata-se de um risco permanente.

Durante muito tempo, sustentou-se a tese de que o Governo era capaz, por si só, de gerenciar muitas demandas, o que se revelou equivocado pela incapacidade não só técnica mas, sobretudo, financeira. Desde que estabelecidas regras que garantam a soberania do Estado, a participação da iniciativa privada deve ser bem recebida. O Governo petista, embora seja discreto em admitir tal mudança, não está recuando em seus propósitos ideológicos. Tem apenas uma nova visão de mundo, mais adequada à realidade.

O pré-sal, como bem lembrou a presidente Dilma Rousseff, irá injetar recursos substanciais na economia, com 85% ficando no Brasil. Se a Petrobras fosse a única gestora, a capacidade de fazer tal dinheiro seria impossível. É necessário considerar parcerias para áreas que delas necessitam. O país cresceu e precisa, se quiser avançar, investir, sobretudo, na sua infraestrutura, o que o Estado não é capaz de fazer isoladamente.