DIA DE CÃO


Por Tribuna

30/12/2011 às 07h00

Na última quarta-feira, o noticiário foi pródigo em ocorrências policiais, como o roubo à mão armada em que uma mulher ficou sem o carro em plena luz do dia no Bairro Granbery. Quando estacionava, foi surpreendida pelo ousado ladrão. Mais tarde, o veículo foi encontrado no Bairro Olavo Costa. Ontem a situação foi mais crítica: duas pessoas foram mortas, e seis, baleadas em fatos distintos, mas que nem por isso deixaram de ser emblemáticos sobre a violência que marca o fim do ano. Embora as investigações ainda estejam em andamento, as primeiras suspeitas são de demandas envolvendo o tráfico de drogas. Se houver a confirmação, não haverá surpresa, pois este tornou-se um flagelo das cidades, principalmente as de médio e grande porte.

O Governo fecha o ano comemorando o aumento de devoluções de armas e prorrogou até o final de 2012 o recolhimento voluntário, como parte de uma campanha que começou desde a realização do plebiscito em que a maioria dos brasileiros optou pelo direito de ter arma em casa. Os índices são positivos, mas distantes do cenário ideal, bastando ver os dados apurados pela polícia. Mesmo com eventual queda, ainda são preocupantes, deixando o Brasil – agora a sexta economia do mundo – com um considerável débito na área de segurança.

Sede da Copa do Mundo de 2014 e tendo o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o país precisa ampliar suas políticas de combate à violência, pois estará sob o olhar do mundo. Um dos pontos de referência na migração dos turistas é a segurança, e ainda há um longo caminho a trilhar, mesmo com reconhecidos esforços, como a aplicação de mais R$ 3 bilhões, anunciada pelo Ministério da Justiça. Mesmo reconhecendo que não se muda em dias o que levou anos para ser sedimentado, é vital insistir na cobrança, a fim de acelerar a burocracia, quase sempre responsável pelo adiamento de questões inevitáveis. Mais do que aos turistas estrangeiros que virão para as duas competições, é preciso assegurar ao próprio brasileiro o direito de ir e vir sem os riscos permanentes que ora corre.