PELA QUALIDADE
O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, fez uma observação pertinente ao dizer, em entrevista ao jornal The New York Times, que a melhoria das condições de vida da população deu margem a novas expectativas. O argumento faz sentido, pois, considerar que a população está nas ruas apenas pela redução de tarifas de ônibus é fazer pouco da própria mobilização. Com a mudança do cenário social, no qual a classe média ganhou novo status, passou-se a exigir também mais qualidade nos serviços, aliás, o grande gargalo do país.
Hoje, em diversas frentes, o atendimento à população é precário, e a mobilidade, um problema, que não encontrou, ainda, uma solução. Mesmo com a redução das tarifas, a população continuará espremida dentro de ônibus e metrôs, como se fosse uma massa única a ser transportada. Os aeroportos, que agora também recebem a nova classe, são um ponto negativo na mobilidade. As metrópoles estão parando por conta do trânsito caótico, e não se criam opções.
O povo está nas ruas também pela insegurança que afeta a sua rotina e pela saúde que nunca chega a patamares adequados. Os governantes passaram anos com um só foco e não perceberam que há demandas múltiplas e reprimidas. Por isso, não bastam soluções isoladas, que passam, também, pela via política, exigindo uma reforma capaz de dar novas regras ao processo político.
As manifestações, embora sem rosto, englobam demandas de longa data e que podem refletir até mesmo nas eleições do ano que vem. Aquele que fizer a melhor interpretação pode ganhar espaço, embora o jogo, hoje, seja apartidário e distante do pleito nacional.











