OLHAR À FRENTE
As recentes manifestações pelo país afora demonstraram a mobilização das ruas, mas apontaram também para pontos que devem ser considerados a partir de agora. Não basta ficar preso a agendas do passado se há um cenário a ser executado pela frente. Em Juiz de Fora, o caso mais emblemático envolve o transporte coletivo. Os militantes que ocuparam a Câmara e levaram o Legislativo a fazer uma audiência pública devem insistir na eficiência do sistema e preços justos, mas cobrar a redução de tarifas um ano depois de sua implantação e com a garantia de que não irão subir este ano soa como um gesto de intransigência. O setor produtivo vive de lucros, e só se pode cobrar eficiência quando há margem para investimentos. A livre iniciativa é uma conquista da modernidade, e ficar preso a uma agenda como a estatização do sistema é apostar no fracasso. O Estado já se mostrou mau gestor em várias frentes, a começar pela mobilidade urbana.
A luta deve ser feita em cima de processos que exigem licitação, novas leis do sistema e, a partir daí, reajustes adequados às demandas da população de acordo com planilhas discutidas detalhadamente. O que se cobra em Juiz de Fora é modernização, a começar pelas regras do setor que não sofreram mudanças nos últimos 50 anos. Na edição de quinta-feira, a Tribuna fez um profundo diagnóstico, mostrando que a população é a única fonte de financiamento do sistema, indicando que é preciso buscar outros financiadores, mas isso só será possível com o desafogo das prefeituras, hoje sobrecarregadas por demandas que caberiam ao Governo federal, principal beneficiário dos impostos.
O sucesso das ruas está diretamente ligado à razoabilidade de suas demandas, sob o risco de os exageros não conquistarem a opinião pública. Recuperar anos de uma só vez pode soar bem para a arquibancada, mas não envolve formadores de opinião e nem quem pode decidir. O Governo federal, quando, em vez de assumir seu papel, jogou a bola para o Congresso, se desgastou. O Parlamento, a despeito de suas muitas mazelas, é fonte legítima de poder. Por isso, rejeitou a Constituinte, avisou que plebiscito em cima da hora não funciona e mostrou que fazer reformas por decreto não é o melhor caminho.











