FORA DO TEMPO


Por Tribuna

29/09/2011 às 07h00

As fotos divulgadas ontem pela Tribuna mostrando como trabalham os oficiais de Justiça no Fórum Benjamim Colucci dispensam explicação. A utilização de máquinas datilográficas para elaboração de relatórios e outras questões é uma prova material dos problemas enfrentados pelo Judiciário no desenvolvimento de suas metas de promover Justiça. Num tempo de comunicação em tempo real e de sistemas interligados, recorrer à velha máquina é voltar no tempo em que a velha, mas não saudosa datilografia, era o signo do desenvolvimento. Some-se a isso a sobrecarga de trabalho apontada pela reportagem, e motivo de manifestações em Belo Horizonte, como as de ontem.

O sucateamento mostrado pelo jornal é uma razão a mais para colocar em pauta a necessidade de uma nova sede, que deve ser construída e montada de acordo com as novas tecnologias. Sem ter, sequer, um telefone em sua sala, os oficiais de Justiça acabam ficando com suas atribuições comprometidas, embora sejam ponto fundamental para o movimento da Justiça. A nova sede, cuja decisão de local ainda repousa sobre a mesa da direção do Tribunal de Justiça, tem que reparar essa e outras tantas deficiências do atual fórum.

A discussão sobre o papel do Judiciário na vida dos cidadãos é tema recorrente, pois há uma defasagem entre demanda e sentença, fruto de anos sem investimentos. Há processo demais e juiz de menos; há citações demais e oficiais de justiça de menos, revelando que entre o real e o ideal há uma distância abissal, que afeta a vida de quem recorre à Justiça e dos próprios operadores do Direito na sua jornada cotidiana na busca de decisões.

O que surpreende, porém, é o fato de, mesmo com o consenso em torno do que é preciso fazer, as decisões necessárias não saírem do papel. A construção do fórum é apenas a face mais emblemática, mas questões simples, como a colocação de computadores numa sala estratégica, não têm justificativa para não terem sido resolvidas.