ALÉM DA RELIGIÃO
Falando aos bispos da América Latina, o Papa Francisco fez um duro discurso, assinalando para o risco das ideologias, tanto liberais quanto conservadoras, advertindo que elas colocam em risco a ação pastoral. Para fora, enfatizou a opção pelos pobres, mobilização dos jovens e indignação permanente contra a corrupção. Na sua passagem pelo Brasil, fez a sua primeira e grande apresentação, sinalizando como será o seu pontificado. No voo da volta, pregou o diálogo com o mundo e rechaçou o preconceito, sobretudo contra homossexuais.
As lições dessa primeira visita não se restringem, pois, aos católicos. Quando prega o enfrentamento à corrupção – que afeta a maioria dos países -, ele deu um norte de mobilização, acentuando que ela é responsável por grandes males da pós-modernidade, a começar pela ausência de ações sociais para os mais carentes. O dinheiro gasto em atos ilícitos poderia ser aplicado em favor dos que mais precisam.
O Papa deu o recado, restando, agora, acompanhar os efeitos da visita. As autoridades presentes aos diversos encontros tiveram oportunidade de ouvir, por mais de uma vez, as recomendações de um homem despojado de gestos principescos. Aliás, disse isso aos bispos e cardeais. As autoridades brasileiras têm por hábito um distanciamento quase natural das demandas públicas, só tomando ciência da população em tempos de campanha. Francisco apontou que essa preocupação deve ser permanente.











