LUTA DIÁRIA


Por Tribuna

23/05/2013 às 07h00

Usualmente, quando se aborda a questão do trânsito, especialmente a relação entre pedestres e motoristas, a culpa pelo considerável número de acidentes é repartida. Os primeiros acusam quem está ao volante de não respeitar regras básicas de dirigibilidade. Quanto a estes, apontam a negligência de quem anda a pé em não olhar sinais e atravessar fora da faixa. Os números não apontam responsabilidade, mas preocupam, pois, até a primeira quinzena de maio, Juiz de Fora teve 187 ocorrências, com três vítimas fatais. No final da tarde de terça-feira, o caso mais grave envolveu uma Kombi, que invadiu um ponto de ônibus, dentro da UFJF, atingindo um estudante. Ele e o motorista ficaram em estado grave.

Com o aumento da frota de veículos, o número de casos também cresceu, o que demanda ações mais frequentes de educação, mas também fiscalização permanente, sobretudo na área central da cidade. De fato, há motoristas que desconhecem a legislação, agindo como se fossem donos das ruas. Da mesma forma, sem qualquer preocupação, muitos pedestres atravessam em qualquer lugar, dependendo da pressa. Nos chamados traffic calmings, a situação é mais crítica, pois, em vez de olhar o sinal, entendem que têm a preferência para atravessar.

Como Juiz de Fora ainda não adotou essa regra, fica a critério de cada motorista parar ou não para a travessia de pedestres, mas até esse gesto – positivo, aliás – tornou-se um risco, pois nem sempre o motorista ao lado ou no veículo atrás tem a mesma compreensão. Como resultado, ou há o iminente atropelamento de quem aposta na educação do motorista, ou uma batida na traseira de quem para por bons modos.

Como providência inicial, a ampliação de agentes de trânsito é necessária, até mesmo para controlar outras demandas, mas a educação coletiva é a peça-chave nesse embate diário em que não há vencedores, e sim vítimas, como ocorreu no Campus da Universidade Federal.