NOVO OLHAR


Por Tribuna

03/10/2012 às 07h00

O julgamento do mensalão, ora produto também do debate político, tem um viés pedagógico que deve se explicitar posteriormente no modo de se fazer política. As condenações por formação de quadrilha, uso indevido do dinheiro público e lavagem de dinheiro criam um novo olhar para as demais instâncias na análise de fatos que fazem parte da rotina judicial. A postura, porém, não ficará restrita aos tribunais, devendo afetar mais ainda o mundo político, que tem um modo próprio de agir, fixando-se acima do bem e do mal. A escolha de candidatos e o encaminhamento das discussões sempre se fizeram em uma trilha própria. O advento da Lei da Ficha Limpa mudou o quadro, mas somente com a consolidação obtida pelas sentenças do STF é que será possível exigir mudanças.

O discurso raso de caixa dois para justificar outras mazelas caiu por terra; daí, a partir de agora, quem ousar adotar tais políticas já estará sabendo dos riscos que corre. A despeito do STF, a primeira instância dará conta disso. Os diretórios, por sua vez, deverão ser mais zelosos em suas ações, tanto na escolha dos candidatos quanto na elaboração de suas contas. Enfim, nasce um novo modo de fazer política.

Trata-se de uma situação em que todos de boa-fé ganham, e a sociedade agradece. O cenário de articulações obscuras, que dava espaço para os especialistas no jogo baixo do poder, perde o seu ar lúdico, tornando-se um pântano. O mérito ficará por conta da boa política e das lideranças que adotarem a ética como princípio e como bússola para os seus liderados. Quando o povo foi às ruas endossar o projeto da Ficha Limpa, com o recolhimento de quase dois milhões de assinaturas, estava explicitando sua indignação com os escândalos que permeavam o noticiário, sem qualquer tipo de punição. O que o STF diz, agora, é que não há mais espaço para essa práxis. O jogo mudou.