FICA VIVO


Por Tribuna

15/02/2012 às 07h00

Desde a instituição do programa, vem se discutindo a implantação do Fica Vivo em Juiz de Fora. Trata-se, entre outras ações, da colocação de câmeras em pontos estratégicos para inibir a ação dos bandidos. Belo Horizonte e vários municípios da Região Metropolitana já adotam o programa, mas Juiz de Fora, por uma análise paradoxal, ainda não foi contemplada. O argumento da Secretaria de Defesa Social, cujo titular tem domicílio eleitoral na cidade, é simples: o índice de crimes violentos contra o patrimônio é considerado o principal critério para a priorização do sistema de videomonitoramento e, levando-se em conta, ainda, o número de habitantes em cada cidade, esse índice é baixo.

Em nota encaminhada à Tribuna, a secretaria diz que considerando-se os municípios acima de 30 mil habitantes, Juiz de Fora está em 25º lugar no ranking do número relativo de crimes violentos contra o patrimônio, considerando-se a população. Dessa forma, a cidade, embora esteja na lista de prioridades, ainda não tem previsão para instalação das câmeras para 2012. Em suma, está fora por não alcançar os índices previstos no programa. Numa avaliação simples, o programa só será implantado quando a situação piorar.

Trata-se não só de um paradoxo, mas de uma política equivocada que contraria os princípios da prevenção. Embora prevenir seja melhor do que remediar, a Seds só vai tomar providência quando a situação se agravar. Com isso, vai para o ralo o discurso de antecipação ao crime, defendido, aliás, por vários chefes militares que tentaram convencer o Governo, mas não conseguiram.

É necessário, então, cobrar da instância política, pois é inconcebível deixar uma das maiores cidades do estado fora de programas estratégicos de combate à violência, sobretudo num momento em que a segurança é um dos temas mais citados pela população. A vigilância eletrônica só valerá para o carnaval. Terminada a festa, volta tudo à estaca zero.